Se os bauruenses não estivessem atentos ou não procurassem a ajuda da polícia, ontem pelo menos 15 pessoas poderiam ter caído no já conhecido golpe do seqüestro. Por incrível que pareça, somente ontem 15 pessoas procuraram o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), que atende pelo 190, para pedir orientação porque haviam recebido telefonema de alguém que afirmava manter um parente da vítima refém.
A Polícia Civil, através da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), também foi procurada por uma mulher, que achava que seu namorado estava seqüestrado. “Eu pedi o telefone do suposto seqüestrado, liguei para ele e estava tudo bem. Liguei para a mulher novamente contando que o namorado dela não havia sido seqüestrado e mesmo assim ela não acreditava”, relata o delegado Silberto Sevilha Martins, titular da DIG.
A maioria das pessoas que ligaram para o Copom estava acreditando que alguém da família havia sido seqüestrado. “Desde a manhã estamos atendendo pessoas apavoradas, que receberam um telefonema e acreditaram que o familiar realmente estava seqüestrado. Muitas nem tentaram falar com o suposto seqüestrado para saber se é verdade e já nos procuraram”, conta o sargento Jair, do Copom.
Apesar das 15 tentativas de golpe ontem, as polícias Militar e Civil não registraram nenhum caso de depósito de dinheiro ou transferência de créditos de cartão telefônicos a marginais no golpe do seqüestro. Porém, na semana passada a DIG registrou vários casos semelhantes de pessoas que caíram no golpe e, juntas, perderam R$ 20 mil.
Por conta da quantidade de tentativas de golpe, o tenente-coronel Pedro Batista Lamoso, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), divulgou para imprensa nota orientando a população sobre o modo de agir dos golpistas e como reagir. “A orientação é desligar o telefone e não fornecer nenhuma informação sobre os familiares”, frisa Lamoso.
Uma das pessoas que receberam a ligação do golpista ontem conseguiu, através da bina, identificar o telefone usado para a chamada. O código de discagem, DDD, é da região de Águas de Santa Bárbara. Lamoso lembra que na região há presídio em Iaras, de onde podem estar partindo as ligações.
Há alguns anos, Bauru já foi alvo de uma avalanche de telefonemas de estelionatários tentando aplicar o mesmo golpe. Na época, a polícia identificou que a maioria das chamadas era feita do presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro. A DIG abriu inquérito para apurar casos de pessoas que caíram no golpe, mas Martins ressalta que é muito difícil provar quem fez a ligação.
“Pedimos a quebra do sigilo telefônico, pedimos para ouvir as pessoas de outra localidade através de precatório, mas ao final descobrimos que a ligação foi feita de um presídio onde estão muitos presos. É muito difícil descobrir quem fez determinada ligação”, comenta.
Por isso, a Polícia Civil pede à população que desconfie de ligação de estranhos, principalmente se for a cobrar, falando sobre acidente ou seqüestro de um familiar porque normalmente é golpe. Lamoso frisa que é preciso estar sempre atento e cita o caso de uma idosa que, certa vez, recebeu um telefonema de um estelionatário com um golpe semelhante.
Ele informava que a idosa tinha R$ 30 mil para receber por conta de uma ação de sua irmã. Porém, para a idosa receber o dinheiro, a pessoa ao telefone informava que ela precisaria depositar R$ 3 mil para pagar as custas do processo. “A idosa respondeu que não haveria problema. Era só depositar R$ 27 mil em sua conta que os R$ 3 mil já estavam pagos”, relata Lamoso para exemplificar como as vítimas devem agir.