Polícia

Milhares de panfletos extraviados do PCC são encontrados pelos Correios

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil de Bauru foi acionada pelos Correios na manhã de ontem, após a empresa ter encontrado uma correspondência do Primeiro Comando da Capital (PCC). A encomenda, uma caixa enviada por Sedex em agosto de 2006, continha milhares de panfletos com o título “Nota de Esclarecimento”. De acordo com a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a encomenda ficou extraviada por ter destinatário e remetente inexistentes e foi aberta apenas ontem, seguindo protocolo dos Correios.

Dentro da encomenda foram encontradas duas caixas com aproximadamente 2,5 mil folhas sulfite fotocopiadas. No “manifesto”, a facção criminosa procura justificar os atos de violência que estavam cometendo no período que chamaram de “agosto sangrento”, enumerando “abusos do governo”.

Segundo o delegado Silberto Sevilha Martins, titular da DIG, a correspondência tinha como destinatário um homem de Marília, que não foi localizado para a entrega. A caixa voltou a São José dos Campos, de onde tinha sido enviada no dia 8 de agosto. Porém, o endereço do remetente também não existia. A caixa ficou 120 dias na cidade. Como ninguém apareceu para buscá-la, os Correios mandaram-na para Bauru, onde funciona uma central de distribuição da empresa.

Seguindo o protocolo dos Correios, a caixa foi aberta por ter expirado o período estabelecido para a retirada de correspondências. Ao verificar o conteúdo dos panfletos, a polícia foi solicitada pela empresa. Todo o material foi levado até a DIG.

Martins acredita que os panfletos seriam distribuídos durante a terceira onda de ataques organizada pela facção, em agosto de 2006, quando não houve ações dos criminosos em Bauru. “Esse material se refere àquela época dos ataques. Seria o que o PCC havia definido como agosto sangrento. Na época, a polícia deu uma resposta em todo o Estado e as lideranças da facção foram detidas e presas”, lembra o delegado.

A Polícia Civil de Marília e de São José dos Campos será alertada da existência do material. “Evidentemente, a polícia tem interesse na investigação. Muito embora os Correios não tenham localizado nem um nem outro, com certeza houve a postagem em São José dos Campos para um destinatário de Marília. Então, essas duas delegacias serão acionadas a tomar conhecimento e tentar saber quem eram as pessoas”, diz o delegado.

A caixa ficará depositada na DIG, que manterá os panfletos armazenados. “Esse material ficará na DIG e haverá as comunicações pelas vias hierárquicas e vamos receber delas (a orientação sobre) o que fazer com ele”, explica.

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Histórico

Na primeira onda de ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), em maio do ano passado, foram registrados disparos contra duas delegacias da Polícia Civil e o prédio da Vara das Execuções Penais em Bauru. Na segunda onda de ataques, em julho, foram queimados cinco ônibus do transporte coletivo, danificada uma Kombi da prefeitura e registrada uma tentativa de incêndio na Regional Administrativa São Geraldo, além de um incêndio a uma loja de conveniência de posto de gasolina. Para agosto estava prevista a terceira onda de ataques, mas a cidade não foi alvo de manifestações da facção.

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