Mais um ano começa e os moradores da Pousada da Esperança 1 e 2 sofrem com os mesmos problemas: falta de galerias pluviais, de asfalto e de áreas de lazer. No ano passado, eles protestaram diversas vezes interditando a passagem de ônibus, fechando ruas e convocando representantes públicos. Mas os líderes de bairro resolveram mudar de estratégia em 2007.
Ontem pela manhã, alguns moradores da Pousada e do Jardim Nicéia fizeram uma manifestação em frente à Câmara Municipal. Com cartazes e faixas, eles cobravam melhorias nos bairros. “Já que os políticos não vão até os bairros, resolvemos procurá-los pessoalmente”, explica o líder comunitário da Pousada da Esperança, Natalino Davi da Silva.
Mas, um detalhe: a Câmara Municipal está em recesso, e logicamente nenhum vereador apareceu para conversar com os moradores. Silva não lamenta, mas aproveita para fazer uma crítica. “Enquanto o trabalhador tira um mês de férias por ano, eles (vereadores) trabalham bem menos”, fala.
Ele promete que as manifestações serão freqüentes daqui para frente. “Pretendemos fazer atos deste tipo pelo menos uma vez por mês. Além da Câmara, vamos na prefeitura também”, diz.
Na opinião de Silva, o fato de a Secretaria de Administrações Regionais (Sear) ter sido extinta pelo prefeito Tuga Angerami (sem partido) dificulta as negociações entre poder público e moradores. “Cada vez é uma desculpa diferente para deixar nossos problemas em segundo plano”, diz. “Os bairros próximos da Pousada representam 20 mil moradores. Somos um número significativo”, completa.
Os cartazes e faixas afixados no portão da Câmara Municipal pediam galeria de águas pluviais; guias e asfalto; posto de saúde; centro comunitário; praças públicas; área poliesportiva; posto policial; e centro de atividades sociais, nesta ordem de importância.
O presidente da Câmara, Paulo Madureira (PP), ficou sabendo do ato através da reportagem, que o procurou à tarde. “Ninguém avisou nada. Eu não fui informado sobre esse evento”, afirmou.
Ele disse que sabe o quanto é antiga a reivindicação dos moradores, porém, ressaltou que o Legislativo tem pouco a fazer para atender as reclamações.
“Esse problema é a prefeitura quem tem que resolver. Quem decide isso é quem tem a caneta na mão. E quem tem a caneta na mão é o prefeito. A única coisa que posso fazer é dar apoio aos moradores”, completou.