O técnico em informática Rafael Serrano Almeida, filho do ex-diretor da Secretaria das Administrações regionais (Sear) Cláudio Serrano, negou ontem que tenha prestado serviços para conserto de computadores ou instalação de internet na pasta, entre 2005 e 2006, mesmo tendo sido submetido à acareação com o motorista Aristeu Botero Júnior, que confirmou, frente a frente com o técnico, que o levou em carro oficial para buscar equipamentos em sedes da secretaria. Diante da posição de Rafael Serrano de negar a realização do serviço, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) convidou, para depoimento espontâneo, o assessor da Sear na Regional Mary Dota, Luiz Colpani e este, junto com Aristeu e os dois, frente a frente com Serrano, confirmaram a ocorrência.
Os depoimentos de Aristeu Botero e a ratificação por Colpani de que o filho do ex-diretor da Sear esteve em repartições da Sear confirmaram o indício já existente de que a empresa Eletrônica Serrano realizou ilegalmente serviços para a administração municipal. A lei impede que servidores prestem serviços para órgãos públicos, cujas empresas sejam sócios ou donos.
Apesar disso, e da advertência do presidente da CEI, vereador José Carlos Batata (PT), de que Rafael Serrano ainda poderia se retratar, ontem, este manteve sua versão e, com ironia, disse às duas testemunhas que “eles estavam falando de outra pessoa”. Com este depoimento, em uma maratona de quase 10 horas de reunião para ouvir 10 testemunhas, durante todo o dia de ontem, a CEI obteve as declarações de que a Serrano contratou ou realizou serviços para a Sear, contrariando a lei, e complicou a situação do ex-secretário Nélson Fio, que pregou omissão nas despesas e contas da pasta que gerenciava.
A contratação de empresa de informática cujo dono era um integrante da secretaria ainda é reforçada por outros indícios, como a verificação de selo de identificação em pelo menos um computador da Sear apreendido pela prefeitura e, ainda, a declaração do ex-responsável pelas contas da pasta, Farlei Henrique Ricci, de que o diretor de Auditoria, Aroldo de Oliveira Lima, é quem efetuou, segundo ele, pagamento de serviço de informática ou conserto equivalente a R$ 970,00. Aroldo, por sua vez, atribui essa responsabilidade a Farlei.
Relações internas
Fora esses elementos sobre a perigosa e irregular relação entre integrantes de cargos comissionados e compras e serviços executados pela Sear nos dois últimos anos, o próprio ex-diretor e proprietário da Serrano Eletrônica, Cláudio, confirmou em seu depoimento, no final do ano passado, que executou o conserto de um fax, alegando que, somente depois, descobriu não ser legal essa operação.
Em um ambiente tenso, a CEI fez Rafael Serrano retornar pelo menos três para depor, além de manter Aroldo de Oliveira Lima em espera dos acontecimentos quase até o final da reunião de ontem. O motorista Aristeu Botero afirmou que levou, em veículo oficial, Rafael Serrano para verificar e retirar computadores nas Regionais Mary Dota e e Jardim Redentor que, na primeira, Luiz Colpani não permitiu que os equipamentos fossem levados. Colpani confirmou esta história, mas o técnico mesmo assim manteve sua declaração de que “isso era impossível”, porque estudava no Senai de Lençóis Paulista à época e viajava todo dia.
O longo dia de depoimentos ainda contou com sete convidados, entre os quais o ex-secretário Nélson Fio, que disse te confiado em seus assessores.