O ex-secretário das Administrações Regionais (Sear) da Prefeitura de Bauru, Nélson Fio, disse ontem em depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI) instalada pela Câmara Municipal para averiguar irregularidades na pasta, entre 2005 e 2006, que não realizava a conferência de nenhum documento, serviço ou despesa durante sua gestão. Disse ainda que delegou poderes para os assessores e responsáveis por cada sede, assumindo para si a indicação e decisão de todos os cargos comissionados no atual governo.
Para Fio, todos os indicados eram de sua confiança e mesmo a nomeação de Farlei Henrique Ricci - que declarou ter sido escolhido para responder pelas despesas da secretaria tendo sido indicado pelo prefeito Tuga Angerami (sem partido) - ele tratou de trazer para si, contrariando o que disse o próprio Farlei. Ele é um jovem de 23 anos que, no início de 2005, ganhou o cargo de confiança através de contatos com integrantes do governo quando ainda era estagiário no Colégio Técnico da Unesp.
De estagiário, o jovem Farlei Henrique Ricci passou a emprestar seu nome, junto com o prestígio pela indicação política, para assinar cheques da secretaria e a responder por uma conta mensal de R$ 16 mil na Sear, mesmo sendo inexperiente na área de custos, contadoria e controle financeiro.
Para tentar distribuir o peso de suas ações internamente, ou apontar o responsável, Farlei alegou que “assinava os cheques que já vinham preenchidos pelo Aroldo (diretor de auditoria da Sear). Como o ex-secretário declarou que não conferia nada e que todos os serviços e decisões cabiam a Aroldo, o confronto entre seus dois assessores não serviu em nada para amenizar a conseqüência desses atos sobre o próprio Fio.
Para Fio, de forma simplista, o importante era atender as associações de moradores e os vereadores nos serviços prestados pela Sear. Para isso, ele tentou justificar que a pasta que administrou poderia funcionar sem os mínimos mecanismos de controles de despesas e checagem, como o levantamento concreto e regular de três cotações de preços no mercado, o preenchimento de notas fiscais com identificação do serviço prestado e do veículo submetido ao reparo, e demais obrigações próprias do cotidiano do serviço público.