Política

Depoentes trombam na tentativa de dividir responsabilidades na Sear

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

As diferenças substanciais para a já comprovada falta de organização e controle na Ser também refletiram em três depoimentos sobre um mesmo ponto: a identificação ou apontamento de responsáveis. Enquanto Nélson Fio confirmou que não se preocupava em checar nada, ele apontou, reiteradas vezes, que todas as ações, gastos e decisões sobre compras e serviços estavam sob o comando do diretor Aroldo de Oliveira Lima, completando apenas que Farlei Ricci assinava cheques, em muitos dos casos.

Já Aroldo alegou que só realizava o “controle do fluxo de caixa”, mas que irregularidades levantadas não teriam sido concretizadas por ele, mas por Farlei Ricci. Foi Aroldo quem acusou Farlei de ser o responsável pelo conserto de uma viatura Ford Ka em uma oficina localizada no Jardim Cruzeiro do Sul, que operou de forma ilegal, do tipo clandestina, enquanto que a nota fiscal, para esquentar o serviço, teria vindo de outro estabelecimento.

Em síntese, Aroldo admitiu que várias contas foram pagas, sob sua autorização, sem a realização de três orçamentos. Mas ele tratou de atribuir a Farlei a responsabilidade pelos atos trazidos pelos membros da CEI como passíveis de irregularidades. Mas o ex-diretor de auditoria confirmou que, entre um descuido e outro, a Sear pagou quase R$ 1.000,00 para comprar o uniforme de time de futebol para os atletas formados pela secretaria, para participar no torneio 1.º de Maio. Como o erro foi descoberto depois, Nélson Fio afirmou que reembolsou o dinheiro, mas isso ocorreu porque foi alertado pela Secretaria de Finanças, e não por ser zeloso no comando da pasta.

De outro lado, Fio responsabilizou Aroldo por quase todas as ações na pasta que administrou e Farlei Ricci ratificou que “tudo era controlado por Aroldo”. Na estratégia de dividir responsabilidades, Aroldo acabou sendo apontado, até agora, em 18 depoimentos, pela ampla maioria dos ouvidos como o homem que mandava nas contas da Sear, inclusive pelo próprio secretário. Já Aroldo atacou na direção de Farlei que, por fim, voltou a confirmar que sacou dinheiro da pasta na boca do caixa, falsificando a assinatura no cheque de um colega.

Entre uma versão e outra e outros tropeços, sobraram divergências, como a responsabilidade pela decisão por despesas sem orçamentos variados, o conserto de equipamentos de informática e o ainda estranho incêndio na Kombi da Sear, cujo roteiro da história não é o mesmo contado por Aroldo, João Antonio Gonçalves e Sílvio Pereira.

Os demais depoentes que compareceram ontem, com exceção dos fatos já mencionados, colaboraram com informações pontuais que, uma a uma, vão acabar ajudando a amarrar o enredo de despreparo, falta de controle, ausência de responsabilidade pública e negligência que marcou a condução da Sear no atual governo, desde janeiro de 2005.

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