O médico Carlos Alberto Macharelli assumiu ontem o Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6), cuja sede é em Bauru e foi criado em substituição à Direção Regional de Saúde, antiga DIR-10. Mas com a extinção da DIR-11, de Botucatu, no final do ano passado, o DRS-6 foi ampliado: agora engloba 68 municípios das regiões de Bauru e Botucatu. E traz uma novidade: usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de uma região serão atendidos em outra.
Para Macharelli, apesar das críticas da extinção da DIR-11 de Botucatu, que passou a fazer parte da DRS-6 de Bauru, a mudança otimizará os atendimentos para pacientes de ambas cidades. “No prazo de um a dois meses, pacientes que necessitam de atendimentos de especialidades e não conseguem em Bauru poderão ser atendidos em Botucatu, e vice-versa”, revela.
Macharelli, que já trabalhava em Bauru como diretor de assistência e saúde do Hospital Estadual (HE) e continua atuando no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, tem como primeiro desafio diminuir as filas por atendimento em Bauru. Em dezembro do ano passado, a então DIR-10 divulgou que havia uma demanda reprimida de 15.158 atendimentos.
Para chegar a este número, foi analisado um vasto material enviado pela Secretaria Municipal da Saúde. A maioria das consultas atrasadas é para ortopedia. Ela corresponde a 30% da demanda reprimida. Mas a fila é para todas as especialidades. Cirurgias de obesidade, por exemplo, poderão ser feitas no Hospital das Clínicas de Botucatu. Por outro lado, consultas oftalmológicas de pacientes daquela cidade poderão ser realizadas em Bauru, no Centro de Especialidades Oftalmológicas (CEO).
Através de um decreto, o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, extinguiu as direções regionais de saúde (DIRs) e criou os departamentos regionais de saúde (DRSs). O número diminuiu: eram 23 DIRs e agora são apenas 15 DRSs no Interior do Estado. Sendo assim, em Bauru foi criada a DRS-6 em substituição à DIR-10. Ela abrigará um número maior de municípios, passando de 39 para 68.
Macharelli também explicou que parte dos 64 funcionários do Estado que trabalhavam na DIR-10 em Botucatu continuará na cidade e outros que optarem serão transferidos para Bauru. “A população não será afetada. Os serviços continuarão normalmente, inclusive a entrega de medicamentos”, ressalta. Affonso Viviani Júnior, que em 2005 era diretor regional de Saúde da DIR-10, assumiu a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen).
Conselho
Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde, do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC) e gestora do Pólo Sudoeste Paulista, órgão do Ministério da Saúde, avalia que a troca de pacientes entre Bauru e Botucatu não é necessária. Para ela o problema seria resolvido se o governo aumentasse o número de vagas, e conseqüentemente de verbas, para as unidades de saúde do município.
“Não é necessário mudar as peças de lugar. Basta aumentar o número de vagas em Unidades de Terapia Intensiva, de atendimentos de média e alta complexidade, que Bauru teria condições de atender a todos. O que vai acontecer é o aumento de viagens, combustível, médicos e enfermeiros para acompanhar e isso não vai resolver o problema do paciente”, avalia.
Ela lembra que há algum tempo bauruenses eram encaminhados diretamente a Botucatu. “Há cerca de dois anos, foi criada a central de vagas, que não funcionou. Antes disso, quando ainda não havia separação de competências entre município, Estado e União, diversos casos eram enviados diretamente a Botucatu. Depois que aconteceu a divisão, houve essa restrição no atendimento lá”, recorda.