A chuva que vem castigando muitas regiões do País desde o final do ano passado, também tem causado sérios prejuízos à agricultura.
A grande quantidade de água prejudicou plantações inteiras, além de ter obstruído o escoamento das cargas. Esses fatores contribuíram para a escassez de alguns produtos no mercado e, principalmente, para o reajuste dos preços.
Sérgio Gomes, gerente de um supermercado em Bauru, diz que o consumidor está pagando até 20% mais por alguns legumes, verduras e hortaliças. É o caso, por exemplo, do tomate.
Segundo ele, o produto passou de um custo que variava entre R$ 0,89 e R$ 0,99 o quilo, para R$ 1,59.
“O produtor não está conseguindo colher, nem o caminhão chegar até a roça. Esse é o resultado: preço alto”, constata.
Além desses agravantes, Gomes ressalta que o consumidor está enfrentando dificuldade para encontrar alguns legumes, como vagem e berinjela. “Ficamos alguns dias sem ter de quem comprar esses produtos. Ou os fornecedores não tinham para abastecer, ou não conseguiam chegar até a distribuidora”, explica.
Em muitas casas, o jeito está sendo substituir as verduras, legumes e hortaliças escassas e em alta no mercado.
De acordo com Marcos Renato Lourenção, gerente-geral de uma rede supermercadista de Bauru, muitos clientes estão comprando mais batatas, por exemplo, para não ficar sem salada na mesa.
“Nas últimas semanas, enfrentamos falta de muitos itens agrícolas, inclusive de cenoura. Embora tenha melhorado um pouco, a qualidade está ruim. Por conta disso, o consumidor está optando pela substituição”, comenta o gerente.
Lourenção já prevê perdas de até 15% nas vendas e no faturamento. Na opinião dele, a alta do preço deve ser um dos fatores que mais vai contribuir para esse prejuízo.
De acordo com ele, a vagem foi o legume que teve a maior alta. Saltou de uma variação entre R$ 1,69 e R$ 1,79 o quilo, para valores de R$ 2,29 a R$ 2,39.
O preço do tomate também apresentou acréscimo significativo. Foi de R$ 1,39 para até R$ 2,19. O quilo da cenoura é outro exemplo. Passou de uma variação entre R$ 1,29 e R$ 1,59, para R$ 1,99.
“Em muitos casos, o aumento atingiu até 35%. Entretanto, ao meu ver, o consumidor entende a atual conjuntura e sabe que a situação vai passar”, acredita Lourenção.
Perdas chegam a 70%
Em uma distribuidora de verduras em Bauru, os prejuízos causados pela chuva são considerados desastrosos.
Segundo o dono da empresa, Sigheru Sato, 70% da produção foi afetada, principalmente os maços de alface, rúcula, brócolis e agrião.
“Nossa produção diária é de 50 mil unidades. Nos últimos dias, não conseguimos chegar à metade disso. O prejuízo será grande”, comenta o empresário.
Sua expectativa é de que sejam necessários, no mínimo, 60 dias para recuperar o prejuízo, mas isso se não voltar a chover.
Apesar da empresa ainda conseguir aproveitar 30% da produção, Sato admite que a qualidade dos produtos não é satisfatória para atender o consumidor.
“Um pé de alface, que antes pesava meio quilo, agora chega à metade disso”, acrescenta.