Um acidente entre uma moto e um ônibus circular ontem pela manhã no Núcleo Geisel, em Bauru, resultou na segunda morte no trânsito na cidade neste ano. O motociclista Jalison Gomes Pires, 21 anos, não resistiu aos ferimentos da colisão e morreu antes mesmo de chegar ao Pronto-Socorro (PS) Central.
Na semana passada, o motoboy Roberto Cristie Jacques Rodrigues, 26 anos, morreu em um acidente semelhante no viaduto que liga o Jardim Redentor ao Distrito Industrial 1, sobre a avenida Rodrigues Alves.
No acidente de ontem, conforme o registrado em boletim de ocorrência no 4.º Distrito Policial, o motociclista transitava pela rua Pitangueiras, sentido Laranjeiras/Sambódromo. O ônibus conduzido por Cícero Domiciano Júnior, 44 anos, seguia pela mesma rua, mas em sentido oposto. Na quadra 3, o ônibus fez conversão à esquerda para entrar na rua dos Cajazeiros, quando ocorreu a colisão.
A moto bateu na lateral direita traseira do ônibus. Pires sofreu ferimentos graves na região do abdome e nas costas. Juverci Messias Rodrigues, morador das proximidades, não viu o acidente, mas ajudou a socorrer a vítima. “Parecia que ele tinha costelas quebradas. A região da barriga estava com hematomas. Quando o resgate chegou, ele já estava morto”, diz.
Apesar do impacto com o ônibus, apenas a lanterna da moto quebrou. O capacete do rapaz também ficou praticamente intacto, com apenas arranhões do lado direito. Na rua, ficaram marcas de derrapagem da moto. O ônibus fazia a linha Ouro Verde/Sambódromo, com ponto final na praça localizada na rua Cajazeiros.
Um colega de trabalho de Pires, que preferiu não se identificar, disse que a vítima havia passado no vestibular e começaria o curso de administração de empresas neste ano. Ele trabalhava em uma empresa de impressão digital.
Segundo moradores do Geisel, um galho de uma árvore plantada no canteiro central da rua, na quadra onde ocorreu o acidente, estaria atrapalhando a visão dos motoristas. Logo após o acidente, o galho da árvore foi cortado por funcionários da prefeitura.
Conceição de Oliveira Izidoro, moradora do bairro e integrante da associação de moradores, disse que motoristas já haviam reclamado dos galhos da árvore. “Um dia antes do acidente eu liguei na prefeitura para pedir a poda, mas o telefone só deu ocupado a tarde toda e não consegui fazer o pedido”, conta. Ontem, após o acidente, ela telefonou para a prefeitura novamente e a poda foi realizada.
O delegado Luís Carlos Amado, do 4.º Distrito Policial (DP), esteve ontem de manhã no local do acidente. Ele disse que será aberto inquérito policial para averiguar o caso. “As testemunhas do acidente e o motorista do ônibus serão ouvidos”, explica. Em 2006, a Polícia Militar registrou 25 mortes no trânsito em Bauru, três a mais que no ano anterior. Do total, 14 acidentes envolveram motocicletas.
O motorista do ônibus envolvido no acidente foi retirado da escala de trabalho ontem. A advogada da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Transurb), Adriana Paes de Camargo Giliote, disse que antes de tomar qualquer decisão a empresa vai apurar os fatos. “Vamos ouvir o motorista e analisar os dados do boletim de ocorrência”, explica.
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Prioridade na conversão
Segundo o capitão Valter Luís Sales Gonçalves, comandante da 4.ª Companhia da Polícia Militar (PM), responsável pela área onde ocorreu o acidente de ontem, a prioridade na via era da moto. “Mesmo se não houver sinalização de pare, já que o motorista do ônibus fez conversão para a esquerda e a moto ficou em seu lado direito, é obrigado a parar”, explica baseando-se no artigo 29 do Código Nacional de Trânsito.
O capitão lembra que o primeiro acidente com vítima fatal do ano, no viaduto sobre a avenida Rodrigues Alves, também ocorreu em situação parecida: o choque aconteceu em uma conversão. Naquele caso, o motorista do automóvel trafegava sobre o viaduto e fez uma conversão à esquerda. O motociclista também seguia pela via na outra mão de direção e chocou-se na lateral direita do carro.
O capitão alerta os motociclistas a usarem capacete com a viseira fechada e ajustarem-no ao pescoço. “Em ambos os casos, a velocidade máxima permitida era de 40 quilômetros por hora. Se os motoristas estivessem nessa velocidade, os acidentes teriam proporções menores”, diz.