A Associação de Moradores do Jardim Carolina está em campanha para limpar os terrenos do bairro. Para isso, promove o contato entre donos de áreas com mato alto e trabalhadores desempregados que fazem “bico” capinando terrenos. A iniciativa começou nesta semana e já resultou em uma uma limpeza e programou outra para hoje.
Segundo a associação, o Jardim Carolina possui 168 terrenos em estado de abandono. Com a relação de todos os proprietários em mãos, enviou cartas para cada um deles. A correspondência avisava que a associação possui agora um cadastro com pessoas que fazem a limpeza dessas áreas cobrando cerca R$ 0,30 o metro quadrado. A idéia é manter o bairro com terrenos sempre limpos.
O primeiro trabalho foi acertado entre o dono de um terreno na quadra 11 da rua Andande Gigo e um morador do Jardim TV, que não pôde comparecer e “terceirizou” o serviço para o lavrador desempregado Jair Alves, 48 anos. O dinheiro estipulado entre o trabalhador e o proprietário do terreno ficará com o próprio lavrador. A associação não fica com porcentagens sobre a intermediação.
O trabalho de Alves começou anteontem, mas apenas com uma enxada ele acredita que só conseguirá terminar a limpeza do terreno - que mede 12 metros de frente e possui 48 metros de comprimento - hoje. O lavrador, porém, cobrou R$ 15,00 por dia de trabalho. “Trabalhar o dia inteiro para ganhar isso não compensa”, lamenta.
O presidente da associação, Mathias Muniz, diz que o valor pedido foi baixo, mas que já estava entrando em contato com o proprietário para solicitar um aumento para o lavrador. “Ele pediu pouco. A área é bem grande e o serviço é duro. Vou solicitar que o dono da área dê um pagamento maior”, conta.
Muniz afirma que tomou essa iniciativa após detectar reclamações dos moradores, que criticam o número de insetos, ratos, escorpiões e caramujos que saem dos terrenos. “A associação apenas mantém cadastro de proprietários e trabalhadores, facilitando os contatos. Além dos dois terrenos que já fechamos, temos outros quatro pré-marcados”, conta.
Para a moradora Rosana Torres, a iniciativa da associação é positiva. A casa dela fica ao lado de um terreno, que foi limpo recentemente. “Vivia dando problema. Saía rato, aranha, caramujo e eu tenho dois filhos pequenos”, aponta. “Acho que vale a pena a idéia, dá trabalho para quem não tem e deixa os terrenos limpos”, avalia.