O Programa Escola da Família, que mantém as escolas da rede estadual abertas à comunidade nos finais de semana, foi reduzido pela metade pelo governador José Serra (PSDB). Em Bauru, das 47 unidades que mantinham o projeto, apenas 19 continuam oferecendo as atividades. Os 636 universitários que trabalham no programa serão mantidos.
De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, a medida foi tomada para reduzir custos. Em São Paulo, o projeto continuará em 2.334 das 5.216 escolas que atendiam a comunidade nos finais de semana. Criado em 2003, o Escola da Família tem o objetivo de reduzir os índices de vulnerabilidade social infantil e juvenil ao integrar a comunidade e transformar a escola num centro de convivência, com atividades voltadas às áreas esportiva, cultural, de saúde e de qualificação para o trabalho.
Em Bauru, a diretora regional de ensino, Vera Nilce Jarussi, afirma que a maioria das unidades que vão deixar de oferecer o programa está nas áreas centrais da cidade, caso do Ernesto Monte. Outras escolas deixarão de ter o projeto por conta da baixa freqüência de participantes. “Mas mesmo nessas escolas, as quadras podem ser utilizadas pela população, basta acertar com a Associação de Pais e Mestres”, observa a diretora.
De acordo com Jarussi, a escola que apresentou maior procura foi a Francisco Alves Brizola, no Jardim das Orquídeas, que recebia em média de sete mil crianças e jovens por mês. A Carlos Chagas, na Vila São Paulo, é a segunda na lista, recebendo cerca de quatro mil pessoas por mês. Outras escolas com finais de semanas concorridos são a Ayrton Bush, no Jaraguá, e Antônio Serralvo Sobrinho, na Vila Nipônica.
Para a diretora regional, as unidades que tiveram o programa suspenso cumpriram com o objetivo do projeto de fortalecer o vínculo entre escola e comunidade. “Além disso, nesses bairros o próprio poder público ou a sociedade organizada criaram áreas de lazer para esse público”, avalia. Jarussi observa que depois de três anos de programa, era necessário um redimensionamento. “O Escola da Família deve ser focado onde está a população ainda em vulnerabilidade social. Como nos bolsões de pobreza, na periferia”, acredita.
Os mais de 630 universitários que desenvolvem as atividades do programa serão mantidos pela diretoria, que fará apenas o remanejamento dos estudantes. “Com um número maior de universitários em cada unidade, é possível focar na melhoria da qualidade das atividades”, observa Jarussi. Os universitários recebem subsídio de 50% da mensalidade, num limite máximo de R$ 267,00 ao mês, do governo e o restante é financiado pela própria faculdade. Para isso, o aluno deve dedicar 16 horas nos finais de semana ao Escola da Família.