Regional

Cheia do Rio Tietê pára navegação na Barra e leva prejuízo a Igaraçu

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Barra Bonita – A necessária abertura das comportas do reservatório de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) inviabilizou nesta semana as viagens turísticas no Rio Tietê, feitas diariamente pelas empresas de transporte fluvial. Conforme a AES Tietê, operadora das hidrelétricas, a capacidade de reservação da barragem atingiu 85% de sua capacidade máxima, o que exigiu a imediata redução do nível com a liberação de água gradativamente.

Como resultado, a prainha de Igaraçu do Tietê foi inundada, causando prejuízos financeiros a dois hotéis e restaurante, conforme contabiliza José Roberto Fadoni, chefe de gabinete da prefeitura.

Ele garante que a prefeitura está fazendo um levantamento para fixar os danos financeiros e buscar ressarcimento dos prejuízos junto ao governo do Estado de São Paulo.

“Vamos recorrer assim como fizeram as cidades que foram inundadas no Estado. A princípio vamos pedir ao governo estadual. Agora, vai atingir o Ministério das Cidades”, esclarece Fadoni, lembrando que o município é uma estância turística que tem parte de sua receita ligada às atividades que dependem do Tietê.

Normalmente, a prainha de Igaraçu recebe grande fluxo de pessoas nos finais de semana. No período de calor, coincidindo com férias, a procura pela estrutura de recreação na prainha tem crescido desde o ano passado, após melhorias implementadas no local.

No entanto, a situação ficou complicada para o comércio a partir do último domingo com a praia, região do restaurante, banheiros públicos e quiosques, tomados pela água. “Inundou até a avenida que dá acesso à praia”, comenta Fadoni.

Do outro lado do rio

Com a abertura das comportas para redução gradativa do reservatório, as empresas que fazem passeios turísticos no Rio Tietê não estão operando nesta semana. Pedro Luís Mesquita, gerente de manutenção e operação de uma empresa turística, explica que a água chegou a 2,5 metros de altura acima do nível normal na região abaixo da barragem. Ele explica que em média a empresa tem realizado 10 viagens por semana. No entanto, desde segunda-feira os barcos não saem do ancoradouro.

Segundo Mesquita, está agendada para hoje pela manhã a primeira viagem da semana, com a melhora das condições de navegação. Ele explica que a AES Tietê cria “janelas” nos finais de semana que propiciam a navegação. Por um período, a empresa suspende a operação de esvaziamento o que garante a navegabilidade pelo canal do Tietê.

O que se viu esta semana foi uma cheia que surpreendeu moradores e visitantes das duas cidades. Mesquista acrescenta que, aparentemente, não houve danos em Barra Bonita, além da água subir além do esperado.

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Registro aberto

O reservatório da hidrelétrica de Barra Bonita é uma espécie de registro do sistema de barragens existente no Rio Tietê. Segundo Edwaldo Oliveira Lippe, gerente de manutenção da AES Tietê, o reservatório faz a contenção de toda a água que vai para o rio, amortecendo os picos de cheia da calha do Tietê.

Conforme noticiou o JC na semana passada, já era prevista a operação de diminuição do nível de água no reservatório da Barra. A abertura das comportas é comum no período de novembro a março, época de chuvas. No entanto, o volume de chuva desde o dia 29 de dezembro último foi muito elevado, segundo o gerente de manutenção.

De acordo com a empresa, o nível abaixo do reservatório chegou a 2 metros, enquanto que o pico de reservação chegou a 85% da capacidade, situação considerada limite.

A partir de sexta-feira passada, gradativamente as comportas foram abertas e o volume de água no rio aumentou. Conforme Lippe, no último domingo ainda foi permitida a transposição (operação de eclusagem) da barragem.

“Só que para garantir a integridade da usina e de toda a segurança das comunidades ribeirinhas houve necessidade de ampliar a saída de água. São níveis normais para o período do ano”, ressalta.

Não estão descartadas novas aberturas das comportas, caso ocorram novas chuvas. “Devemos encher o reservatório de forma gradativa, mas não podemos subir isso rapidamente e não ter um volume de espera de novas chuvas”, frisa.

Toda a operação de redução do nível d’água é feita em conjunto pela AES Tietê e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pela otimização da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), sistema de produção e transmissão de energia, que abrange a maioria das empresas do setor no País.

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