O PT ainda é a agremiação política de maior influência no movimento trabalhista de Bauru. Um levantamento feito pelo Jornal da Cidade, junto a sete entidades de classe instaladas no município, constatou que o partido tem forte afinidade ideológica com as diretorias de três sindicatos.
O PSTU, por sua vez, tornou-se a corrente política dominante em duas instituições existentes na cidade. As diretorias de outras duas entidades consultadas não manifestaram qualquer tipo de preferência ideológica . A exemplo do que ocorre com o PT, a Central Única dos Trabalhadores continua sendo a maior central sindical da cidade, contando com quatro instituições filiadas.
Esse número, porém, pode se alterar em breve, já que há um consenso entre a maioria dos atuais dirigentes do Sindicato dos Bancários para que a entidade se desligue da central. Caso isso venha a ocorrer, a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) passaria a ter duas instituições filiadas em Bauru. A Associação dos Aposentados e Pensionistas e o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Bauru não são ligados a centrais sindicais.
O levantamento mostra que a influência das agremiações ditas de esquerda continua forte no movimento operário. Para o cientista político Rodrigo Cesar Moura - que desenvolve projeto de mestrado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo -, essa ascendência é natural.
“A origem desses partidos está no sindicalismo. Agremiações mais à direita, como PMDB, PFL e PSDB, não contam com uma base no movimento operário, por isso encontram tanta dificuldade para se fazerem representados nessas instituições”, explica. A estratégia de concentrar esforços nas organizações de classe é mais notória em partidos de menor expressão, como é o caso do PSTU.
“Em geral, o partido costuma ter um desempenho irrelevante nas urnas. Como também não tem penetração nas grandes esferas de decisão (o Congresso Nacional, por exemplo), seus militantes preferem apostar as fichas nas disputas para o controle de sindicatos, associações de moradores e agremiações estudantis”, acredita.
O PT, por outro lado, se empenharia nas lutas pela direção do movimento sindical, visando manter a predominância no segmento político que lhe deu origem. “Hoje em dia, as principais lideranças do governo Lula são oriundas do sindicalismo. Apesar do partido ser influente em todos os setores da sociedade, sua base mais forte ainda está no movimento trabalhista”, conclui.