Saúde

Toques e retoques: Novidades em obesidade

Daniela Hueb*
| Tempo de leitura: 3 min

Prezado Leitor,

Na coluna de hoje vou abordar algumas novidades no tratamento da obesidade, uma doença que vêm ganhando um vasto espaço entre a população mundial.

O abdome protuberante deixou de ser um mero atentado em desfavor da estética e tornou-se um caso de saúde pública. Quando avantajado, a gordura contida nele pode estar circundando alguns órgãos como fígado, rins e intestino, dificultando que eles funcionem em harmonia, além de poder ocasionar uma série de males, como hipertensão arterial, excesso de açúcar no sangue, LDL (colesterol ruim) e triglicérides elevados e HDL (colesterol bom) em níveis muito a desejar.

Esse acúmulo de sintomas é denominado pelo comunidade médica de “Síndrome Plurimetabólica”, ou ainda, “Síndrome X”. Em outras palavras, trata-se de uma espécie de barril de pólvora com a capacidade de aumentar o risco de explodirem males cardiovasculares e diabetes tipo II.

Medicamentos

Uma das novidades em favor do obeso é o medicamento rimonabant, que, segundo alguns resultados obtidos clinicamente, tem a promessa de fazer a cintura encolher 8 centímetros em menos de um ano.

Este medicamento já foi lançado na Europa e também já foi aprovado pelo FDA, a agência americana que controla a comercialização de medicamentos. Não disponível no Brasil, a previsão é de chegar às nossas farmácias ainda este ano.

O rimonabant representa um novo conceito de tratamento e é considerado revolucionário porque, além de promover perda de peso, auxilia no controle de outros fatores de risco associados à gordura abdominal.

Ao contrário dos medicamentos mais prescritos para emagrecer, como a sibutramina, uma estimuladora da sensação de saciedade, e o orlistat, capaz de impedir a absorção de 30% de gordura no intestino, o rimonabant bloqueia a ação de substâncias conhecidas como endocanabinóides, compostos similares aos da maconha, ou uma maconha interna, com a capacidade de provocar uma gula avassaladora.

Esta gula, especialmente por doces, é conhecida popularmente como “larica”, fenômeno experimentado pelos fumantes de maconha. No final dos anos de 1980, em busca de uma explicação para esse apetite exacerbado após as tragadas, pesquisadores americanos descobriram que o THC, o princípio ativo da erva, se encaixava em receptores localizados no cérebro, deflagrando esta fome incontrolável. Investigando mais sobre o THC, foi descoberto mais: o próprio organismo fabrica esta substância (os endocanabinóides). É aí que o rimonabant atua. Ele inibe a vontade de comer e atua também nos receptores das células de gordura.

Bactéria: causa de obesidade?

A obesidade pode, de fato, ser contagiosa? Há tempos se divulgou que alguns vírus podem afetar as células de gordura. Agora, novos resultados de pesquisa foram confirmados: bactérias podem influenciar na obesidade.

Como assim? O intestino é povoado por trilhões de microorganismos. Pesquisas americanas mostraram que obesos e magros têm proporções diferentes de dois grupos básicos de bactérias e, segundo estudos realizados em camundongos, foi demonstrado que a obesidade pode ser “contagiosa”. Quando os microorganismos ligados a ela foram transplantados para camundongos, magros, sem bactérias, a sua gordura corporal aumentou.

Calma, calma, atenção especial: antes de sair correndo atrás de antibióticos, é preciso ressaltar que o achado é apenas mais um fator a contribuir ao aumento de peso. Não há dúvida entre os pesquisadores de que a alimentação inadequada e o sedentarismo ainda são os maiores culpados pela atual epidemia de obesidade em todo o planeta.

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Solução

Medicamentos ajudam no controle da obesidade? Ajudam. Resolvem o problema? Sozinhos, não. Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo médico para tratar definitivamente a obesidade é a de convencer a pessoa a mudar de vida. De nada adianta tomar medicamento, fazer atividade física, controlar o estresse e seguir uma alimentação adequada somente até atingir o emagrecimento.

Muitas pessoas, quando emagrecem e cessam de vez com a conduta médica, voltam a engordar não por culpa do medicamento que pararam de tomar (tem que ter algum culpado, não?), mas porque voltam a permitir que o mesmo hábito de vida seguido antes de procurar ajuda médica tomasse conta delas mesmas mais uma vez.

Os medicamentos não fazem milagres. O milagre mesmo depende exclusivamente de você: estar disposto a mudar de vida. Comece hoje e boa sorte!

Um grande abraço e até o próximo domingo,

Envie suas dúvidas para o e-mail: danielahueb@jcnet.combr

*Médica, CRM-SP 96.027

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