Igaraçu do Tietê - O município de Igaraçu do Tietê (a 71 quilômetros de Bauru) quer sediar o Departamento Hidroviário da Secretaria de Estado dos Transportes do Estado de São Paulo. Ainda neste mês, o prefeito Guilherme Fernandes (PSDB) e técnicos da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Botucatu devem se reunir com o vice-governador Alberto Goldman (PSDB) para discutir o assunto.
O assessor da prefeitura de Igaraçu, José Roberto Fadoni, lembra que o município se comprometeria a entrar com a infra-estrutura, pois o local abriga hoje a Capitania e possui o complexo da Orla Turística. Por outro lado, uma equipe da Fatec de Botucatu faria o monitoramento dos 2.400 quilômetros do rio Tietê, inclusive com a retirada de plantas aquáticas (algas) que se proliferam no local.
Há cerca de cinco anos uma equipe de 14 profissionais, comandada pelo professor Luís Fernando Bravin, da Fatec de Botucatu, já vem realizando o trabalho de monitoramento de parte do rio. A idéia é abrigar os equipamentos desta equipe em Igaraçu do Tietê e ampliar os trabalhos de monitoramento no rio Tietê. Este será um dos argumentos que será levado até o governo do Estado, José Serra (PSDB).
O objetivo de expandir o monitoramento, segundo Fadoni, é garantir o transporte de cargas e o turismo das cidades que margeiam o rio. A prefeitura, inclusive, conseguiu recursos para construir o barco-laboratório e uma marina. Em princípio, segundo Bravin, seriam necessários três lanchas rápidas, o barco-laboratório (que já está sendo construído em Botucatu) e várias outras embarcações que teriam a função de fazer a retirada das plantas aquáticas do rio. “Esses barcos, inclusive, já estão construídos, estão prontos”, avisa o professor.
O barco-laboratório que está em construção, segundo Bravin, deverá fazer a coleta de amostras no rio com datas previstas. Ele deve sair de Botucatu e Piracicaba e seguir navegando até Itaipu.
Segundo Fadoni, se o monitoramento da hidrovia em seus 2.400 quilômetros continuar abandonado, poderá causar prejuízos para o transporte de cargas. “Por isso que o prefeito e outras pessoas que estão integradas com a Fatec querem assumir isso para monitorar”, argumenta.
O receio é que no futuro as algas possam trazer prejuízos ao transporte de cargas na hidrovia à medida em que elas atingem os motores dos barcos. O prejuízo já é verificado no setor de turismo. Em determinadas épocas do ano, a proliferação de algas tem deixado a água esverdeada e espantado o turistas das “prainhas” de cidades do Interior.
Tanto Bravin quanto Fadoni lembram que dentro de alguns meses deverá começar o transporte de álcool pela hidrovia, o que reforça ainda mais a necessidade de manutenção da navegabilidade do rio. “Uma coisa interessante é que dentro de poucos meses começará o transporte de álcool pela hidrovia, então é preciso ter um plano de contingência. São essas coisas que nós levaremos ao vice-governador, Alberto Goldman”, comenta Bravin.
/O encontro com Goldman deve acontecer ainda neste mês, conforme revela Fadoni. “O vice-governador assumiu a pasta de Desenvolvimento e nós estamos com agenda para o dia 20 de janeiro”, diz. Segundo ele, um deputado deve intermediar o encontro. “Ele vai nos assessorar e marcar uma reunião entre o prefeito de Igaraçu e o pessoal da Unesp com o vice-governador, para ver se ele aceita o nosso projeto e traz isso para Igaraçu”, conclui o assessor.
“É um projeto que estamos propondo para a Secretaria de Estado dos Transportes que engloba, além do monitoramento do transporte de cargas pela hidrovia, toda a utilização do uso múltiplo da água, desde alimentação até para irrigação e geração de energia. É um projeto bem amplo que engloba não só a Fatec como a Unesp também”, ressalta Bravin.