Após um ano de superação de obstáculos e novas realizações que comprovaram a importância de se estimular a criatividade infantil, o Grupo Ato começa a planejar suas atividades de 2007 com os olhos voltados para as crianças e a esperança de formação de público para o futuro do teatro local.
Sob a direção de Carlos Batista e Elisabete Benetti, o Ato já realizou mais de 12 espetáculos próprios em mais de 28 anos de atividade em Bauru. São do grupo os espetáculos “Sem o Canto dos Pássaros”, “Até Amanhã, Tudo Bem”, “A Nova Descoberta do Brasil” (que percorreu 40 cidades do Estado, em comemoração aos 500 anos do Brasil), “A Nutricomédia” (que continua em cartaz com sua proposta educativa), “O Dia em que o Medo Virou Música”, “Rapunzel” e o adulto “Prometeu é Fogo”, produzido com a Lei de Estímulo à Cultura de Bauru.
De acordo com Batista, em 2007 o grupo deve remontar “O Dia em que o Medo Virou Música”, que é uma adaptação atualizada do conto de João e Maria; seguir com as apresentações de “Rapunzel” (já assistido por mais de 6 mil crianças) e ainda realizar a produção de um novo espetáculo infantil. “Mas sobre esse ainda não posso adiantar nada”, diz o diretor.
“Nosso foco maior é o público infantil. Entendemos que deve se trabalhar com a criança para ela ser o público de teatro de amanhã. E não apenas levá-la ao teatro, mas dar fundamento para que ela possa saber o que é bom ou não”, comenta Batista. “Nossa preocupação maior é criar público com produções de qualidade – não apenas com histórias de solução educativa, mas com reflexão, assumindo a responsabilidade do teatro de fazer refletir”, completa o diretor.
Para Batista, o ano passado foi “lamentável” na área cultural. “Não se acrescentou nada (na cena cultural de Bauru) e nós mesmos produzimos com muita dificuldade. Só conseguimos parcerias com iniciativa privada, e ainda com muito custo”, frisa. Na opinião do diretor, falta maior comprometimento do Executivo Municipal com a cultura.
“Não vemos um trabalho cultural forte e fundamentado. E não adianta dizer que não há verba, porque arte é criatividade. O governo atual não vem sendo criativo na área cultural. Espero que em 2007 haja ascensão. Tenho a esperança de haver trabalho com os grupos da cidade, e não com tantas produções de fora que custam caro e não apresentam nada de construtivo ao público”, critica.
Ele cita iniciativas como o projeto Santo de Casa, que apresentava produções locais com apoio da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), e do Festival de Teatro Infantil, manchado com a falta de pagamento aos grupos e produtores participantes que levou a Associação de Teatro de Bauru e Região a entrar na Justiça contra a Prefeitura Municipal para poder receber a dívida de R$ 7,7 mil. “Bauru tem público, sem dúvida nenhuma. O bauruense aprecia e prestigia o teatro local, mas falta uma parceria mais firme com a Secretaria de Cultura”, afirma Batista.
____________________
Colhendo frutos
No ano passado, o Grupo Ato concluiu suas pesquisas sobre a importância do teatro na infância como brincadeira, que originou o projeto inédito “Caixa Encantada”, que tem como objetivo estimular as brincadeiras de faz de conta e o imaginário infantil. Várias escolas já utilizam esse material.
A coordenação do Ato também comemora a realização de “Rapunzel”, que fez parte do cronograma do projeto “A Escola Vai ao Teatro”, parceria das secretarias de Educação e Cultura de Bauru. Além do público das escolas municipais, a peça foi apresentada a alunos de instituições privadas e teve duas sessões com ingressos esgotados, com público espontâneo, no Teatro Universitário da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB).
Dentro da proposta de responsabilidade social da companhia, “Rapunzel” também foi apresentado no Lar Escola Rafael Maurício e Associação de Moradores do Núcleo José Regino.
Outra ação do Ato foram as apresentações de “A Nutricomédia” no Teatro Municipal em outubro do ano passado. Parceria do Programa de Educação Nutricional e do Grupo Prata, o espetáculo lotou o teatro e arrecadou 1,5 toneladas de alimentos.
Para Batista, ao lado de Elisabete Benetti, é a paixão pelas artes cênicas o melhor combustível para o trabalho com a companhia. “É essa paixão que nos faz superar as dificuldades e buscarmos com criatividade, superar os obstáculos que a cada novo ano surgem”, finaliza.
Mais informações sobre o Grupo Ato no site www.gru poato.com.br e pelos telefones (14) 3238-1299 e 9151-2879.