Bairros

Região norte: Pousada da Esperança: Lamaçais

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Na Pousada da Esperança (zona norte), a falta de pavimentação se tornou um problema tão crítico que o lugar passou a encabeçar a lista das áreas mais esburacadas de Bauru. Agora, depois da chuva que açoitou a cidade durante dez dias sem parar, o saldo não está sendo nada positivo para o bairro.

As ruas de terra se transformaram em verdadeiros lamaçais e ainda hoje é difícil circular de carro pelo local. Na verdade, até mesmo os ônibus que atendem aos moradores da região têm evitado passar pelo bairro. “Eles estão desviando pelo bairro Nova Bauru e nem entram mais aqui”, garante Fernando Antônio Vieira de Barros, 44 anos, presidente da Ação Comunitária Pousadense, uma das entidades representativas do bairro.

A falta de asfalto é problema antigo no local. Quando se mudou para a Pousada da Esperança, em 1996, Barros até acreditava que a situação pudesse melhorar. “A tendência natural de um lugar é sempre progredir, mas pelo visto as coisas aqui funcionam de um modo diferente”, raciocina.

O Jardim Ivone, situado próximo à Pousada, também sofre com a ausência de pavimentação nas vias. Nas duas últimas semanas, o ônibus que atende a população do local também teve de mudar a rota para evitar os buracos que tomam conta do bairro.

“Ele nem entra mais aqui. Está indo pela Quinta da Bela Olinda”, afirma Maria Pedrolina Alves Sales, 55 anos, presidente da associação de moradores do lugar. A falta de asfalto talvez seja a carência mais notória da região norte da cidade, mas, até o momento, nenhum dos líderes comunitários acredita que a questão vá ser resolvida em breve.

“O problema não está neste prefeito, mas sim em todos que já passaram pelo poder e nunca fizeram nada por nós. Eles não querem fazer nada por este bairro porque nem eles nem os parentes deles moram aqui”, afirma.

Alguns podem achar que Sales é uma pessoa pessimista, e talvez ela realmente o seja. A questão porém, lembra ela, é que é difícil alguém ficar animado frente um descaso que dura mais de 30 anos (desde que Jardim Ivone surgiu, na metade dos anos 70).

“Não agüento mais ouvir promessas. Toda eleição é a mesma história: os políticos vêm até aqui, pagam cervejadas no bar da favela e abraçam crianças sujas de terra. Depois de eleitos, eles somem para nunca mais voltar”, diz.

Barros também já perdeu a fé nos governantes. “Quando o Nélson Fio era secretário (das administrações regionais), ele vivia me falando: ‘Tenha paciência, Fernando, pois a prefeitura está preparando uma surpresa para os moradores da Pousada’. Mas, até agora, a única coisa que me causou espanto foi o pedido de demissão dele”, diz o líder comunitário.

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