Além de terem castigado bastante as vias de terra, os temporais das semanas passada e retrasada também trouxeram inúmeros prejuízos às ruas de Bauru que já contavam com asfalto. Entre todos os bairros existentes na cidade, nenhum foi tão afetado quanto o Núcleo Octávio Rasi (zona leste).
Em praticamente todas as ruas do lugar o que se viu foi o mesmo: a pavimentação antiga e sem manutenção necessária não foi capaz de suportar dez dias seguidos de enxurrada. Os estragos foram tantos que ficou até difícil chamar aquilo que sobrou de asfalto.
Os buracos tomaram conta de tudo, até mesmo das vias usadas pelo transporte coletivo. “Sei que a chuva causou danos de igual intensidade em todo o município, mas no Octávio Rasi a situação é mais crítica. O que existe ali é um estado de calamidade pública”, avalia o secretário de obras, Paulo Brittes.
Na opinião dele, o problema existente no núcleo é tão grave que se tornou impossível até mesmo tapar os buracos ali existentes. “A única forma de resolver essa situação é com um recapeamento total das ruas do bairro”, afirma.
Brittes garante que hoje as intervenções no local são vistas como de prioridade máxima pela secretaria. Por outro lado, ele lembra que as obras de pavimentação só poderão ser levadas adiante se o tempo colaborar. “Caso o sol apareça, é possível recapear todo o Octávio Rasi em três dias, mais ou menos”, calcula ele.
Enquanto aguardam a chegada do novo asfalto, os moradores sofrem com os buracos que dominam todos os cantos do bairro. Rogério Barbosa Gomes, 19 anos, é auxiliar de produção e vive na rua Miguel Ângelo Peregini, uma das que mais foram afetadas pelas chuvas. “Aqui está intransitável. Além dos buracos, a ruas também estão repletas de mato”, reclama.
Gomes concorda com a afirmação do secretário de que o núcleo passa por uma situação de calamidade pública. Eles não são os únicos a pensar assim. “É um horror. Além deste lugar ficar afastado de tudo e de todos, a gente ainda tem de suportar essas crateras em frente de casa”, queixa-se a dona de casa Elizete Moyséis, 50 anos.
Apesar de ter sido uma das menos afetadas pelas chuvas, a rua onde mora também está desaparecendo em meio a uma grande vala que, por sinal, já engoliu parte da calçada. “Está difícil sair com o carro da garagem. Daqui à pouco, até o poste irá cair”, afirma. O ponto de iluminação está localizado ao lado da erosão.
Esse é um dos reflexos do caos que tomou conta das ruas do núcleo, causando aborrecimento às pessoas que vivem no local. “Moro há 23 anos neste lugar. Quando vim para cá, as ruas ainda eram de terra. Depois veio o asfalto, tudo feito com dinheiro dos próprios moradores. Não é justo, agora, deixar tudo abandonado da forma como está. É errado, pois a gente pagou para viver num bairro com vias decentes, não nessa buraqueira que está aí fora”, diz Gomes.
____________________ Sem esperança
No Bairro Tangarás (zona leste de Bauru), problemas como o de asfalto cheio de buracos não existem. Isto porque o local nunca recebeu qualquer tipo de pavimentação. Todas as vias existentes no lugar são de terra.
“Na verdade, um trecho da rua Antônio Dezembro, que termina na entrada do bairro, tem asfalto. Só que essa área pertence ao antigo Country Club e não favorece em nada a nós moradores”, diz o vendedor Zaqueu Vieira da Silva, presidente da associação de moradores do local.
Nos últimos dias, em decorrência da chuva, as ruas do bairro ficaram intransitáveis. “Nem de moto a gente consegue circular. Daqui a pouco, as pessoas terão de usar barcos para sair de casa”, brinca.
Para piorar, nem mesmo serviços de terraplanagem (que ao menos minimizariam o problema dos buracos) estão sendo executados no bairro. “A única rua onde vimos o trator da prefeitura trabalhando foi a Flávio Aredes, mas só por que lá é caminho do ônibus”, garante.
O Secretário Municipal de Obras, Paulo Brittes, reconhece que ultimamente a prefeitura tem concentrado os serviços de reparo nas vias utilizadas pelo transporte coletivo. “Damos prioridade a essas ruas porque sabemos que um maior número de pessoas dependem delas no dia-a-dia”, explica.
Em todo caso, Silva já perdeu a fé de ver o lugar onde mora pavimentado. “Acho que, nos próximos dez anos, a situação irá permanecer tal como está. Depois, quem sabe um dia, alguém resolva asfaltar uma ou duas quadras, só para deixar o pessoal do bairro novamente esperançoso”, pensa.