Desde que assumiu o cargo, em novembro do ano passado, o secretário municipal de Obras, Paulo de Brittes - ex-funcionário da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) -, têm tido muito trabalho para manter as ruas da cidade “nos trilhos”. Devido às fortes chuvas das últimas semanas, as preocupações do engenheiro formado pela antiga Fundação Educacional de Bauru, atual Universidade Estadual Paulista, têm sido ainda maiores.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, ele reconhece que a maior parte do asfalto de Bauru já está com a vida útil vencida e precisa ser trocada com urgência.
Por outro lado, Brittes lembra que a secretaria, a exemplo do restante da administração municipal, dispõe de recursos limitados para trabalhar e que estão muito distantes do que ele estima ser a quantia necessária para pavimentar e recapear todas as ruas de Bauru: R$ 250 milhões. Acompanhe a entrevista a seguir.
Jornal da Cidade - A Secretaria Municipal de Obras fez alguma avaliação a respeito dos estragos causados pela chuva das últimas semanas?
Paulo Brittes - Dez dias seguidos de chuva destruíram toda a cidade de uma maneira bem parecida. É lógico, porém, que em alguns bairros os danos foram maiores, e moradores desses locais estão tendo de enfrentar uma situação mais crítica.
JC - Quais seriam esses bairros?
Brittes - O Núcleo Octávio Rasi é o lugar de Bauru que mais sofreu conseqüências com as chuvas. Ali os danos no asfalto foram tantos que nem adianta mais tapar os buracos. A única solução seria recapear todas as ruas do bairro.
JC - Mas outras áreas da cidade também enfrentam problemas com buracos.
Brittes – Sei disso, mas não podemos nos esquecer de que no Octávio Rasi a situação é muito grave e requer uma solução urgente. Para falar a verdade, a maior parte das ruas de Bauru conta uma pavimentação muito antiga, que tem mais de 20 anos. Esse asfalto está com a vida útil vencida e precisa ser trocado, mas por enquanto não temos recursos para recapear todas as vias existentes na cidade.
JC - E quanto às ruas de terra?
Brittes - As ruas sem asfalto são uma questão complicada. Nós aqui da Secretaria de Obras herdamos um estudo que a Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) havia feito sobre o problema. São ao todo 3.500 quadras de terra espalhadas por Bauru, uma quantidade muito grande. A grande dificuldade é que não podemos começar a fazer a pavimentação dessas ruas antes de instalar galerias pluviais.
JC – Então, por enquanto, esses locais ficarão sem asfalto?
Brittes - A secretaria trabalha com recursos limitados e precisa fazer escolhas. Temos de arrumar primeiro onde já é pavimentado, para depois cuidarmos das ruas de terra. Fizemos uma estimativa sobre o quanto seria necessário para pavimentar e recapear todas as vias de Bauru. Pelos cálculos, teríamos de movimentar aproximadamente R$ 250 milhões. Isso representa o orçamento de todo o município e não dispomos de tanto dinheiro. Nosso cobertor é curto demais.
____________________ Defesa Civil
Para o coordenador da Defesa Civil Municipal, Eros Antônio Pereira, Bauru está preparada para enfrentar grandes catástrofes naturais. “Hoje, como a situação ainda está tranqüila, o material de que dispomos atende à cidade com folga”, acredita.
Durante anos, a situação precária da Defesa Civil de Bauru vinha sendo alvo de críticas freqüentes feitas pelo último coordenador do órgão, Álvaro de Brito. Ele, inclusive, foi demitido do cargo após expor suas reclamações em uma reportagem do Jornal da Cidade, publicada em final de novembro do ano passado.
O novo coordenador acredita que, apesar das carências com que trabalha a Defesa Civil, a cidade não ficará vulnerável a possíveis catástrofes naturais. “Além disso, se houvesse uma tragédia de grandes proporções, é certo que a prefeitura ampliaria nossa estrutura”, pensa. Desde que assumiu o cargo, logo após a destituição de Brito, Pereira teve a oportunidade de conhecer de perto os problemas causados pela falta de planejamento no município.
“Não tenho conhecimentos profundos em urbanismo para afirmar se a cidade tem ou não deficiências, mas uma coisa fica claro: se todas as ruas tivessem asfalto, guias, galerias, e as margens do rios e dos barrancos não estivessem ocupadas por moradias, talvez nem fosse necessário existir Defesa Civil”, conclui.