Dentro dos próximos dias Bauru será uma das poucas cidades do Centro do Estado de São Paulo a oferecer Gás Natural Veicular (GNV). O posto que vai vender o combustível no município - localizado entre a avenida Cruzeiro do Sul e a rua Galvão de Castro - já recebeu a carreta na qual o gás será transportado. A expectativa da gerência regional de rede de postos SP 7 da Petrobras em Bauru é de que a distribuição comece ainda neste mês. A empresa já estuda estruturar outro posto, no Centro de Bauru, para comercializar o gás. Lençóis Paulista também deve receber um posto de abastecimento, mas ainda não há data nem investimento previstos.
No próximo sábado, a equipe de frentistas do posto das imediações da Cruzeiro do Sul começará a ser treinada para trabalhar com o novo combustível. O produto será fornecido pela empresa Gás Brasiliano, de Araraquara. Duas carretas, com capacidade para 5 mil metros cúbicos (m3) cada uma, farão o abastecimento em Bauru.
O posto já está praticamente equipado para começar a comercialização. A empresa instalou duas bombas apropriadas para o abastecimento. De acordo com a gerência da Petrobras, falta apenas concluir a cobertura do espaço onde as bombas foram colocadas e instalar uma porta de segurança no local onde a carreta carregada com o gás ficará alojada.
“Acreditamos que até o dia 31 o abastecimento já esteja totalmente liberado. Falta pouco para isso ocorrer”, ressalta o gerente regional da Petrobras em Bauru, Heitor Kaschel Baroni Filho.
Preço
Abastecer o carro com GNV pode ser uma alternativa muito econômica, apesar da conversão do automóvel custar mais de R$ 2 mil.
Segundo a regional da Petrobras, o metro cúbico do combustível deverá ser vendido entre R$ 1,50 e R$ 1,55.
Entretanto, em outras cidades do Estado, como Araçatuba, o produto é vendido a R$ 1,49 o metro cúbico. No Rio de Janeiro, o valor é menor ainda: R$ 0,99.
Baroni Filho, gerente da Regional da Petrobras, explica que os preços serão maiores em Bauru porque o escoamento do combustível é feito através de transporte rodoviário. No caso de Araçatuba, segundo ele, o GNV chega através de gasoduto. Já o Rio possui naturalmente o gás na bacia de Campos, o que diminui, consideravelmente, o custo com a distribuição até os postos.
“Se tivéssemos gasoduto aqui (em Bauru), poderíamos vender o gás por R$ 1,19”, completa. Apesar do preço em Bauru ser maior que nesses locais, o custo ainda é menor que o litro da gasolina, hoje me torno de R$ 2,50. Além disso, o gás chega a ser até 30% mais econômico.
E é por conta desses fatores que o técnico eletrônico José Augusto Trevisan, de Bauru, pretende comprar um novo carro, já adaptado ao GNV, em São Paulo. Ontem, ele procurou o posto que fornecerá o combustível em Bauru para saber quando começará o abastecimento.
“Só não mudei para o GNV antes porque não existe nenhum ponto para abastecer aqui por perto. Acredito que essa mudança me trará uma economia de até 80%”, comentou Trevisan.
Mensalmente, o técnico eletrônico roda com seu carro, um Celta seminovo, 4 mil quilômetros. “Com um litro de gasolina consigo percorrer 9 quilômetros. Já com um metro cúbico de GNV, será possível fazer 18 quilômetros. É muito compensatório”, diz, animado.
De acordo com o assessor comercial da gerência da Petrobras em Bauru, Ricardo Sartori, a expectativa é de que o posto comercialize 100 mil metros cúbicos de GNV por mês e cerca de 3 mil por dia. A maior demanda, segundo ele, seria de veículos de outras regiões do Estado e do País que passam por Bauru.
“Queremos criar a cultura do GNV entre os motoristas bauruenses. Nossa intenção é diversificar a matriz energética com produtos que vêm do meio ambiente. Aliás, essa é a filosofia da Petrobras”, aponta.
Assim que o abastecimento começar, a regional da Petrobras em Bauru iniciará um trabalho de marketing do GNV no município e na região com outdoors e placas indicativas sobre a venda do produto.
Conforme Sartori, o Policiamento Rodoviário de Bauru informou que cerca de 200 motoristas que cruzam a cidade aos finais de semana procuram informações sobre abastecimento de GNV no município. Apesar da falta de demanda interna, a expectativa da Petrobras para Bauru é otimista.
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Bauru ainda não faz
Os motoristas de Bauru que quiserem mudar o abastecimento de seus veículos para Gás Natural Veicular (GNV) terão de esperar um pouco. O município ainda não tem nenhuma oficina habilitada a fazer a conversão de automóveis.
O local mais próximo para adequar o carro ao GNV é Araçatuba, depois, só a Capital paulista.
As empresas precisam de autorização do Instituto de Pesos e Medida (Ipem), do Instituto de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e da distribuidora do equipamento apropriado para armazenar o gás, antes de começar a oferecer o serviço.
De acordo com o Ipem em Bauru, seis empresários que já atuam no ramo de oficina mecânica já consultaram o órgão para saber das exigências. Porém, nenhuma ainda deu entrada no processo.
Segundo o chefe de Divisão Técnica do Ipem regional Bauru, Luiz Antonio Brizzi, a autorização pode ser adquirida em até 30 dias. “Não é nada burocrático. Basta a empresa agilizar a documentação e não apresentar nenhuma restrição”, acrescenta.
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Quem usa, aprova
O oficial de justiça José Carlos Vidotto, de Araçatuba, converteu seu carro a Gás Natural Veicular (GNV) há cerca de um ano e meio. Para ele, o investimento de R$ 3,2 mil compensou.
“Hoje, faço 14 quilômetros com um metro cúbico de GNV dentro da cidade. Antes, com a gasolina, fazia 10 quilômetros com um litro. Na estrada, consigo percorrer 20 quilômetros com um metro cúbico do gás. Não dá para comparar. O custo reduz bastante”, destaca.
Mas, para chegar a essa economia, o motorista tem de mexer no bolso. Vamberto Silva, dono de uma convertedora de GNV em Araçatuba, diz que o kit que habilita o carro a receber o combustível gasoso pode custar até R$ 3,4 mil.
O mais comum e usado, porém, é um pouco mais barato. Custa cerca de R$ 2,6 mil, incluindo cilindro de 15,75 metros cúbicos (o equivalente a 63 litros), chave comutadora, emulador de bico e sonda, e variador de avanço. Este último, conforme Silva, é extremamente necessário porque é responsável por manter a potência do motor do veículo, que geralmente diminui com a substituição do combustível original. A peça, explica o mecânico, adianta o ponto de queima do gás no motor, não permitindo assim, a redução da potência.
“É uma alternativa extremamente viável, mesmo para quem não usa muito o veículo. O retorno é garantido”, comenta. Segundo Silva, o equipamento é acoplado ao veículo no porta-malas, o que diminui a capacidade do espaço para bagagem.
O equipamento também é viável em motos, segundo o mecânico, porém o procedimento ainda não está autorizado nesse tipo de veículo.
Em Araçatuba, cerca de 15% da frota municipal, avalia Silva, já fez a conversão para GNV.