Tribuna do Leitor

Travessia


| Tempo de leitura: 2 min

Deixei meu orgulho de lado e fiquei desidratado quando tentei beber Bauru... Andei, andei mesmo pois cada vez que andava não acreditava como tudo deixou de se transformar... Fiquei atento na placa do Casimiro, atrás um viaduto e debaixo dele moças de bolsas, saltos de esquina...

Andei mas adiante um mato grande decorava a avenida, conhecida pela história que levava os “Grandes Pratas” para o desembarque final... Olhei para frente, um buraco absurdo mas os absurdos se uniam e formavam uma grande família de buracos profundos... Foi a ruptura da veia que leva o sangue ao coração, foi a única explicação que encontrei...

Mas adiante muitas surpresas, não existia nenhuma beleza, apenas descuido esquecimento, amargura, saudade, muitas saudades... Quando eu era menino, há muito tempo atrás, eu podia jurar que tudo era diferente... Mas agora, agora tudo mudou, as pessoas mudam, nada é de ninguém nem nossas próprias vontades...

Bauru, adormeceu em um sono profundo, em uma grande tristeza financeira mal arquitetada.... Quem deveria fazer, faz de conta que faz e nada.... Quem deveria amar, faz de conta que ama e nada...

Quem deveria gritar, faz de conta de mudo e não fala... Quem deveria, não paga, quem pagaria, continua devendo... Quem era maquinista, não mais apitam os trilhos que apitavam... Quem era comerciante sente no peito uma “Lusitana” saudade dos patrícios... Quem era indecente aos olhos do pecado, era respeitada, “Eny”gma indecifrável...

Somente os olhos, somente eles, me levam a verdade relativa ou absoluta... Na chapa um cara quente, no ponto, o frio de São Paulo. No pão, você é o igrediente... No palco, uma dama, na madeira italiana, a cultura, uma Celina estrela que brilhava...

Nas ruas, saudades, os nomes, verdades dos que fizeram à referência do nosso passado... Passado temos um? Presente? Sem embrulho, vazio talvez... Futuro lá no espaço, “Pontes” de safena fibrilavam nos peitos dos mais velhos...

No espaço, um cometa chamado Bauru, que olhou para os olhos azuis de sua mãe... Quem diria que um dia Bauru seria poesia? Quem diria? Há quem diga que o mundo acabou, e sobraram somente rochas do mal que se assolou! Bobagem, quem te conheces dizia um mineiro, não te esqueces jamais...

Volta Bauru, volta a planar no céu de asas deltas... Volta esquinão, lembra o Zé de não esquecer do que muitos esquecem... Volta minha vida, volta, ainda tenho muito a contar para os netos que terei... No “Centrinho” do Estado uma referência chamada esperança... No cantinho dos lábios, uma surpresa para todos nós...

E quando amanhecer quero estar do seu lado... E quando abrir os olhos os buracos se fecharam... E quando menos se espera a “travessia” será completa... Na cidade, impõe “Limites”, sem ele, tudo para... Assim caminha a humanidade, volta Bauru, para os braços de seus filhos...

Huxley Ivens - autor, diretor, poeta apaixonado por Bauru “em algum lugar do passado” - RG 28.739.204-1

Comentários

Comentários