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Seade ‘encolhe’ população de Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A população de Bauru “encolheu”, segundo projeção divulgada ontem pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Os números apresentados indicam que a cidade terá 352.887 habitantes somente em julho deste ano. No entanto, em setembro de 2006, estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já apontavam o município com 356.680 moradores.

Como explicar então a redução de 3.793 pessoas? Metodologia. A palavra foi utilizada pelos dois órgãos oficiais para justificar a diferença a população de um ano para o outro. “Projeção não é pesquisa. São metodologias diferentes. O IBGE faz para o Brasil todo, são mais de cinco mil cidades. A Fundação Seade só para as 645 cidades paulistas”, diz o demógrafo da fundação, Carlos Eugênio Ferreira.

De acordo com ele, os cálculos são feitos a partir do censo de 2000 do IBGE e tomam como base estatísticas vitais produzidas pela própria fundação - como fecundidade, mortalidade e migração.

“Trata-se de um método utilizado e recomendado pelas Nações Unidas, chamado Método dos Componentes Demográficos. A gente faz primeiro do Estado, depois regional e por município”, acrescenta Ferreira.

IBGE

Já o IBGE leva em conta o número médio de anos de vida esperados para um recém-nascido, mantido o padrão de mortalidade existente na população residente num determinado espaço geográfico, no ano considerado. A informação sucinta (sobre como são elaboradas as projeções para o Brasil e suas regiões) foi transmitida pela assessoria de imprensa.

Explicações à parte, para o demógrafo da Fundação Seade, a diferença apontada pelos órgãos é pequena. Concorda com ele o professor e economista Reinaldo Cafeo, que trabalha com um banco de dados estatísticos de Bauru e região denominado Data-ITE.

“Não é significativa (a diferença). Claro que trabalham com metodologias distintas e acabam distorcendo (os números finais)”, diz. Na opinião dele, os dados da Fundação Seade são mais próximos da realidade. “Os critérios (adotados) são mais completos que os do IBGE”, conclui.

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Taxa de crescimento

A taxa de crescimento de Bauru, entre os anos de 2006 e 2007, é igual à do Estado de São Paulo no mesmo período. A migração explica o fenômeno, segundo o economista Reinaldo Cafeo. De acordo com ele, tanto o município quanto o Estado têm saldo migratório positivo porque ainda são capazes de atrair pessoas.

No entanto, o ritmo de crescimento está em queda em qualquer ponto do País. Tanto que há uns 30 anos, uma pirâmide representaria bem a população brasileira - sendo crianças e jovens sua grande base. Atualmente, uma pêra já simboliza melhor a realidade nacional. A base encolheu, cresceu o miolo e a base de pessoas idosas está ampliando, informa Cafeo.

Segundo ele, a média nacional de crescimento populacional é de 1,2% ao ano. Mas estudos do Conselho de Economia apontam taxa de apenas 0,79% para daqui 15 anos.

“Continua crescendo, mas num ritmo mais lento (tanto as cidades quanto o Estado). No período entre 2000 e 2005 a taxa (de crescimento do Estado) era de 1,56. Para o período de 2015 e 2020 será de 0,9%”, acrescenta o demógrafo da Fundação Seade, Carlos Eugênio Ferreira, ao citar dados oficiais. De acordo com os cálculos dele, Bauru ultrapassará os 400 mil habitantes somente em 2020.

Até lá, a população idosa representará 10% do total do Estado. Em 2000, ela não passava de 6%. “Vamos ter de mudar políticas públicas. A cidade precisará se preparar (para atender os mais velhos)”, comenta o economista.

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