Bairros

Coletor se exime de culpa na crise do lixo

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Desde o início da gestão Tuga Angerami (sem partido), quando os problemas na coleta de lixo tornaram-se constantes, os coletores também passaram a ser apontados como responsáveis pela crise. Eles, no entanto, não apenas se eximem de culpa, como listam uma série de problemas com os quais são obrigados a conviver diariamente.

As queixas, que contam com respaldo do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), são rebatidas pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). A primeira delas diz respeito à defasagem no quadro funcional. Há três anos, o número de servidores da coleta chegava a 90, informa Valdir Rosa, diretor do sindicato.

Licenciado há 15 dias, ele trabalhou por dez anos como coletor de lixo. “A falta de homens é um problema. Há três anos, trabalhávamos com quatro coletores (por caminhão). Hoje são três. Às vezes, saímos com dois com a promessa de mandarem mais um”, comenta. Como a idéia é melhorar o serviço de coleta, o presidente da Emdurb, Carlos Barbieri, não descarta a possibilidade de voltar a colocar quatro servidores por equipe.

A iniciativa depende do diagnóstico que ele está fazendo, cuja conclusão é esperada para os próximos 60 dias. Porém, Barbieri faz três ponderações sobre o assunto. Uma refere-se ao acordo com o Sinserm, que prevê três homens por viatura. Outra é de que não há déficit de trabalhadores na coleta. No total, eles somam 78, sendo que seriam necessários 60 – já prevendo rodízio e divisão por equipes.

“Em tese, temos sobra de 18. Mas isso não acontece porque só ontem (anteontem) 16 faltaram, fora os que já estavam de licença. Mas a Emdurb não é só limpeza pública e o problema não é só lá”, afirma o presidente da empresa. Ele ressalta, por fim, que existe um processo seletivo em andamento. Embora tenha sido aberto para preencher apenas uma vaga, sete classificados serão chamados.

Viaturas

Mas além da falta de coletores, Rosa também aponta a escassez de viaturas para trabalhar. “Em dez anos, compraram só seis caminhões. Tem caminhão que não esfria o motor. É um turno atrás do outro”, denuncia. O sindicalista ainda garante que, muitas vezes, falta material para mecânicos da Emdurb repararem veículos quebrados.

“A Emdurb é uma empresa pública, regida por leis públicas. O processo de compra tem que ter licitação. Às vezes, dá problema”, justifica Barbieri. Porém, nenhum veículo fica parado por falta de pequenos investimentos (R$ 100,00 ou R$ 150,00), informa o presidente da Emdurb. De acordo com ele, sempre é possível suprir valores modestos e urgentes.

“Mas quem usa o material tem que avisar que (o estoque) está acabando. Compramos um caminhão modelo novo, com 228 cavalos, com compactador e tudo. São 40 dias para a entrega”, comunica o responsável pela Emdurb.

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