São Paulo - O nível de emprego na indústria paulista caiu 0,26% em 2006, pior desempenho em sete anos. Em 2000, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mudou a metodologia da pesquisa. Naquele ano, a indústria havia registrado crescimento de 3,42% no total de vagas.
Em todo o ano passado, foram eliminadas 5 mil novas vagas na indústria paulista, contra a criação de 48.419 postos de trabalho em 2005. Considerando apenas o mês de dezembro, houve queda de 2,48% no total de empregos, com o fechamento de 52 mil vagas. Trata-se da maior baixa desde a revisão da metodologia, em 2002. As últimas estimativas da Fiesp apontavam para um crescimento de 0,5% a 1% do total de vagas.
No início do ano passado, a Fiesp chegou a projetar uma expansão de 2% para o nível de emprego industrial.
A queda do dólar em relação ao real, que reduz a competitividade dos produtos brasileiros no Exterior, os juros altos - inibidor dos investimentos - e a carga tributária têm sido apontados pelos industriais como os principais entraves ao crescimento do setor e da economia brasileira, o que reflete diretamente no nível de emprego. O dólar, por exemplo, encerrou 2006 com queda superior a 8% em relação o real. A taxa básica de juro real brasileira, apesar da queda da Selic de 18% para 13,25% ao ano em 2006, ainda é maior do mundo.
O pior desempenho em 2006 foi verificado no setor de preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e calçados, que apresentou queda de 16,89% no número de postos de trabalho. Em dezembro, a maior redução percentual de vagas foi apurada no setor de fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis nucleares e produção de álcool (-12,6%).