Rio - Dois ônibus foram incendiados na manhã de ontem, nas proximidades do morro da Mangueira (zona norte do Rio de Janeiro). O ataque, segundo versão da polícia, foi uma resposta de traficantes a uma operação da Polícia Civil na favela que resultou na morte de três suspeitos de integrar o tráfico.
A confusão teve início por volta das 9h, quando aproximadamente cem homens da Delegacia de Roubo e Furto de Cargas e da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core) ocuparam a Mangueira para cumprir seis mandados de prisão contra supostos assaltantes de cargas que estariam no morro. Durante a ação, houve um intenso tiroteio, de acordo com policiais, no qual três homens acabaram sendo mortos. Um grupo de traficantes, então, teria deixado a Mangueira e seguido em direção ao vizinho morro do Tuiuti.
Segundo a polícia, de lá eles desceram para a rua São Luiz Gonzaga, onde incendiaram dois ônibus, das linhas 624 (Praça da Bandeira-Mariópolis) e 474 (Jacaré-Jardim de Alah). Os criminosos ainda atearam fogo a um carro, a pneus e a um sofá. Depois fugiram. Segundo Célio de Oliveira Lima, 41 anos, cobrador do veículo da linha 474, cerca de 20 homens armados com fuzis e pistolas pararam o ônibus, mandaram os passageiros descerem e atearam fogo ao veículo. “Eles disseram ou desce ou morre”, declarou.
Nesse coletivo havia pelo menos 20 passageiros. Por precaução, a polícia interrompeu o trânsito na rua São Luiz Gonzaga e também na rua Ana Néri. Com medo, os comerciantes baixaram as portas de seus estabelecimentos. Até o final da tarde de ontem, apenas um dos mortos no tiroteio no morro da Mangueira tinha sido identificado: Adriano da Silva, 30. Sua carteira de trabalho indicava que ele atuava como servente de pedreiro. A polícia, no entanto, o acusa de ser ligado ao tráfico de drogas.