As chuvas cooperaram para destruir a pavimentação e viajar de Bauru para Duartina, de Duartina para Lucianópolis e de Lucianópolis para Ubirajara é, no mínimo, um treino para rali. As únicas certezas são de tempo maior de viagem e transtornos na rodovia denomindada SP-315 conforme constatou ontem na estrada a reportagem do JC.
Na estrada de mão-dupla, desviar de buracos sem ter como recorrer aos acostamentos é uma das tarefas a ser cumprida pelos ‘competidores’. Para um bom manobrista, a viagem é uma maneira de testar suas habilidades, no entanto, para quem viaja esporadicamente ou para os desavisados o trajeto é um pesadelo.
Sem acostamento
Em certos trechos, especialmente os sem acostamentos, o motorista é obrigado a invadir a pista contrária para conseguir se livrar dos buracos, correndo o risco de colidir frontalmente com outro veículo. É o caso de um, também sem sinalização, existente entre Duartina e Lucianópolis, onde a velocidade máxima conseguida e não permitida é de 30 quilômetros por hora.
Mas se o local está ruim, pior ainda o condutor irá enfrentar se seguir de Lucianópolis para Ubirajara, onde a pista esta bem pior que o anterior.
No quilômetro 13, por exemplo, o condutor de qualquer veículo é obrigado a transitar com muito cuidado. Há buracos em ambas as pistas, comprometendo todo o trânsito. Para completar o cenário, há um pequeno percurso onde a pavimentação não suportou a força da água das chuvas somada ao peso dos caminhões que por ali transitam e ‘explodiu’, deixando a via com aclives e declives seguidos que podem confundir o condutor.
Se durante o dia é difícil transitar por essas vias, imagine à noite, quando a visibilidade fica comprometida e as dificuldades para o condutor duplicam.
A boa notícia é que o trânsito de veículos nesse percurso é pequeno, embora a região esteja toda tomada por plantações de laranja, eucalipto e cana-de-acúçar.
Nem tudo está perdido
A rodovia João Ribeiro de Barros (SP-225), que liga Bauru a Marília, começou a ser duplicada em 2004. O primeiro trecho em obras que contemplou Bauru/Piratininga começou em setembro de 2004 e só foi concluído em abril de 2006.
Outros ‘pedaços’ foram sendo duplicados, mas a conclusão ainda não chegou em janeiro de 2007. Há quilômetros entre Piratininga e Duartina onde o aterro já foi feito, mas a pavimentação ficou esquecida.
Com as chuvas, o aterro está sendo ‘engolido’ por erosões, comprometendo todo o trabalho e causando gastos duplos, com certeza. O trecho Duartina-Garça também não está concluído.
Próximo ao quilômetro 367 da João Ribeiro de Barros, equipes de funcionários de uma empreiteira montam duas pontes que serão instaladas sobre o local conhecido como Água do Paiol. Um dos funcionários, que preferiu não se identificar, explicou que só depois da instalação das pontes será feita a pavimentação da duplicação.
Os atuais buracos ou crateras estão sendo ‘fechados’ na operação tapa-buracos. Ontem, uma equipe do Departamento de Estradas de Rodagens (DER) trabalhava próximo a Duartina com previsão de trabalhar por longo percurso.
O tapa-buracos torna a estrada uma verdadeira colcha de retalhos com ‘remendos’ por todo lado. Como a pavimentação é somente colocada nos buracos, sem a compactação adequada, há de se prever que em pouco tempo novos buracos irão surgir nos mesmos ou em locais bem próximos.
Segundo a assessoria de imprensa do DER/SP, na rodovia Bauru-Marília (João Ribeiro de Barros) há equipes de obras e conservação. A de conservação, tenta recuperar a pista com o tapa-buracos, enquanto que a de obras, dá andamento à duplicação.
A assessoria informa que na rodovia SP-315, que interliga Duartina a Ubirajara, também serão feitos reparos nas pistas. Mas, para ambas, o trabalho está comprometido devido à grande ocorrência de chuvas que aumenta os problemas e compromete o serviço.
Para o sonhado recapeamento da SP-315 e a conclusão da duplicação da Bauru-Marília não há previsões, uma vez que o orçamento ainda não foi votado e somente depois disso é que o DER poderá prever obras de maior porte.
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Falta de segurança
No mês em que tem que recolher o Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA), a revolta ainda é maior em transitar sobre a pista esburacada, frisa o representante comercial Isvaldo César da Silva. Para ele, que mensalmente percorre o trecho Bauru-Ubirajara, a situação da via é péssima.
“A estrada está horrível. Demoro mais nas viagens, porque os buracos exigem velocidade muito baixa. Já tive prejuízos. Em dezembro passado perdi uma roda e um pneu”, reclama.
Outro problema apontado por Silva é a falta de segurança. “Todos os dias coloco a minha vida em risco. Essa estrada não tem acostamento e em muitos lugares temos que invadir a pista contrária para conseguir transpor trechos tomados de buracos.”
O motorista Júlio César Noronha, que transporta gado de Duartina para Ubirajara, reclama dos gastos, tanto de tempo quanto os financeiros.
“Para cada viagem acrescento 20 minutos a mais. Não dá para andar, é só buraco na pista. Isso acaba com as molas do caminhão.”
Na opinião de outro caminhoneiro, Cláudio Roberto Valentin Alves, a situação da estrada é péssima. “Ontem tive que trocar dois pneus traseiros. A polícia está na pista para verificar a situação dos pneus, mas ninguém conserta os buracos”, reclama.
Ele, que transporta toras, explica que a troca de pneus em período mais curto, assim como a troca de amortecedores e molas, significa perda de dinheiro. “Estamos contabilizando prejuízos e colocando a nossa vida em risco”, lamenta.