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Familiares são acusados de espancar aposentada de 95 anos em São Paulo

Folhapress
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São Paulo - Uma filha e um neto da aposentada Jamila Miguel Mauad, 95 anos, são acusados de espancá-la com freqüência e de maltratá-la, deixando a idosa sem alimentação por dias, exigindo que ela lave suas roupas íntimas e a trancando para fora do apartamento da família, na Vila Mariana (zona sul da Capital). O neto teria, inclusive, o hábito de cuspir no rosto de Jamila.

A idosa é quem paga o aluguel do imóvel, o condomínio e as compras no mercado. Anteontem, indignada com a situação, a vizinha Valéria Nascimento, 35 anos, levou a idosa ao 36.º DP (Paraíso) para prestar queixa. Há cerca de dois meses, é a vizinha que dá banho em Jamila e, às vezes, também a alimenta. Valéria conta que foi à polícia porque Jamila apareceu em sua casa, tomou um suco de manga - que ela gosta - e contou que a filha Edinéia, 63 anos, tentou estrangulá-la.

O delegado Rui Diogo da Silva, do 36.º DP, afirmou que a filha Edinéia e o neto Vagner de Souza e Silva, 34 anos, serão indiciados por lesão corporal e maus tratos. Se condenados, podem pegar de três meses a três anos de detenção. A vizinha afirma que, depois de voltarem da delegacia, na noite de anteontem, ela e Jamila foram agredidas pelo neto Vagner e a filha Edinéia na entrada de seu apartamento. Valéria diz que o neto da idosa lhe deu um soco no rosto, quebrando dois dentes seus.

O neto também teria empurrado Jamila contra um móvel de madeira, machucando as costelas da idosa. Ontem, Jamila recebeu a reportagem na casa da vizinha, onde havia dormido. Com hematomas no braço direito, ela também se queixou de dores nas costelas. “Pelos acontecimentos, tem gente que diz que a Edinéia (a filha) não está bem da cabeça. Acho que não mereço, sempre fiz tudo por ela, mas ela me chama de ‘cadela’”, disse Jamila. “O machucado das costas foi porque me empurraram contra um móvel”, completou.

Segundo outra filha da idosa, Noede, Jamila evita acusar Edinéia porque não quer que nada de mal aconteça à filha. “Eles sempre batem nela. Querem o dinheiro dela (de Jamila), mas não querem cuidar dela”, disse

Noede, que, ontem, pretendia levar a mãe para sua casa. Jamila ganha R$ 1.030,00 de aposentadoria -ela tinha uma linha de confecção. Recebe ajuda de R$ 500,00 e R$ 400,00 de duas sobrinhas. Com esse dinheiro, sustenta a casa de onde é expulsa. “E o neto sempre cospe no rosto dela”, contou a filha Noede.

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