Turismo

Recife das artes e dos intelectuais

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 2 min

Gilberto Freyre, autor de “Casa Grande & Senzala”, “Sobrados e Mocambos” e “Açúcar”, entre outros clássicos; Ariano Suassuna, que há 50 anos escreveu “O Auto da Compadecida”; Manuel Bandeira, de “Vou-me embora pra Pasárgada”, e João Cabral de Melo Neto, de “Morte e Vida Severina”, nunca esconderam a paixão e o orgulho por terem nascido em Recife.

Essa doce cidade, iluminada e cortada por pontes, é um exemplo ao mundo de como no Nordeste brasileiro turismo, cultura, arte, arquitetura, história, gastronomia e folclore podem dar certo e andar juntos.

Bairros bem distantes da Praia de Boa Viagem, como Apipucos e Várzea, desconhecidos da grande maioria dos turistas, guardam surpresas que chegam a emocionar. Capítulos em destaque de um Brasil culto, único, especial.

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“ Aqui nasceu a literatura brasileira no verbo quinhentista de Bento Teixeira Pinto, autor da Prosopopéia. Renovou-se depois com a Escola do Recife. Com Castro Alves e Tobias Barreto. Aqui nasceram Joaquim Nabuco, Oliveira Lima e Alfredo de Carvalho – três dos maiores historiadores brasileiros.

“Cidade de rios e madrigais, tem enriquecido o lirismo brasileiro com as trovas e madrigais de Maciel Monteiro, Olegario Mariano, Adelmar Tavares, Luiz Estevão, Odilon Nestor; com a poesia nova de Manuel Bandeira, Joaquim Cardozo, Ascenso Ferreira. Sem falar das modinhas e trovas populares.

“E não só a literatura brasileira: também a literatura israelita na América parece que desabrochou no Recife....”

(Gilberto Freyre – “Guia Prático, Histórico e Emocional da Cidade do Recife”).

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“Há quanto tempo não te vejo/

Não foi por querer /não pude/

Nesse ponto a vida me foi madrasta...

Eras um Recife sem arranha-céus, sem comunistas

Sem Arraes e com arroz/

Muito arroz/ De água e sal”

(Manuel Bandeira)

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“ Vi terras da minha terra.

Por outras terras andei.

Mas o que ficou marcado

No meu olhar fatigado,

Foram as terras que inventei”...

(Manuel Bandeira)

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“No Recife, as roseiras não se fazem de rogadas para se abrir em botões e em rosas de uma fragrância como só nos trópicos. E ao lado das rosas, girassóis enormes; jasmins de cheiro que noite de lua tornam uma delícia o passeio pela cidade, ao longo das grades e dos muros das casas dos subúrbios. Tempo de caju, os cajueiros perfumam as estradas...”

(Gilberto Freyre – Açúcar”).

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