Dirceu “Borboleta”, personagem interpretado pelo ator Emiliano Queiroz na lendária telenovela “O Bem-Amado”, ia fazer a festa se chegasse em uma das cidades da região de Bauru que estão recebendo a ‘visita’ de uma espécie de inseto que parece um misto de borboleta com aleluia. Não identificada, a ‘pequena’ borboleta (mariposa, na verdade) está mudando a rotina dos moradores, causando prejuízos aos comerciantes e deixando os municípios sujos, com mau cheiro e atraindo moscas varejeiras.
As ‘visitas’ acontecem à noite, no entanto, o incômodo rastro fica para ser recolhido pela manhã, quando os moradores e a administração municipal das cidades de Reginópolis, Uru e Pongaí trabalham sem parar recolhendo até 100 quilos de insetos por dia.
Além da sujeira, os insetos mortos exalam um cheiro típico de peixe podre, que atrai as moscas varejeiras que, por sua vez, deixam larvas sobre eles. A situação está insuportável no pequeno município de Uru, reclama o prefeito João Luiz Veronezi (PSDB), atordoado com o problema.
Agrônomo de profissão, o prefeito diz que não sabe o que fazer, mas que a situação se tornou insuportável. “Na quarta-feira usamos até caminhão pipa para lavar as ruas da cidade. Os varredores coletaram mais de 100 quilos de ‘borboletinhas’ mortas nas ruas.”
Ele reclama do mau cheiro e explica que, embora agrônomo de profissão, teve que pedir para uma agrônoma da prefeitura verificar o problema, logo que ele surgiu, há meses atrás. “Na época ela pesquisou junto à uma universidade de Piracicaba e Rio Preto, mas ela está em férias e não consegui falar com ela.”
Ele lembra que a agrônoma informou que houve um deseqüilíbrio dessa espécie no Rio Tietê e que o inseto, que precisa de luz para desovar, invade a região urbana para deixar seus ovos depois do pôr do sol, atraído pela luminosidade da luz elétrica, no período noturno. “A situação é desesperadora. Sei que a fêmea é que invade as cidades e o macho morre em poucas horas.”
O prefeito procura uma solução rápida para livrar os moradores de Uru dos insetos. “Anteontem as ruas estavam tomadas. Havia nuvens próximo às lâmpadas públicas. Ninguém pode abrir uma janela ou porta que elas entram nas casas.”
Na cidade, as pequenas borboletas de traseiro amarelo aparecem por volta das 20h30. “Elas permanecem vivas por cerca de uma hora. Morrem sozinhas, após desovarem.”
O prefeito de Pongaí, Ademir Bortoli (PSDB), classifica a invasão como absurda. “Ainda não identificamos a origem e estamos buscando uma solução. A verdade é que esses insetos provocam mau cheiro e muita sujeira.”
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Desequilíbrio
Mesmo sem ter visto o inseto, o zootecnista e diretor do Zoológico de Bauru, Luiz Pires, arrisca a dizer que a tal ‘borboletinha’ é na verdade uma mariposa, até porque, segundo ele, as borboletas não voam no período noturno.
De acordo com Pires, a mariposa que ele não pôde classificar sem ver, se reproduz nessa época incentivada pelo calor e chuva. “Ela sai para o vôo onde se acasala e faz a postura na água. Os ovos afundam na água dando origem a uma larva. Essa mariposa existe no Brasil e em outros países.”
Na opinião dele, o que pode estar acontecendo é um desequilíbrio. “Deve ter ocorrido algum desequilíbrio. Os predadores naturais que se alimentavam dessa larva, principalmente algumas espécie de peixes, devem ter deixado de existir. Com isso elas estão se reproduzindo em grande escala. Em Pederneiras também tem, na beira do Rio Tietê.”
O forte odor exalado pela mariposa morta é típico. “O cheiro é proveniente de muita matéria orgânica. Se as fêmeas morrem sem depositar os ovos, esses ovos apodrecem e provocam o odor.”
Para Pires, a única forma de não receber a indesejável visita das mariposas é deixar as lâmpadas apagadas, uma vez que elas são atraídas pela luminosidade artificial.