Bairros

Creche é interditada no Beija-Flor

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Uma creche que atendia 20 crianças do Núcleo Beija-Flor, em Bauru, foi interditada na tarde de ontem numa ação conjunta do Ministério Público, Conselho Tutelar, Vigilância Sanitária, Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal do Bem-Estar Social. Coordenada pela presidente da associação dos moradores do bairro, Selma Cosmo Celestino, a creche “Natalino Lopes Grecco” cobrava R$ 50,00 de mensalidade. Na tarde de ontem, as crianças estavam sendo mantidas no centro comunitário do bairro.

Depois de ser visitada inúmeras vezes pela Vigilância Sanitária e pelo Conselho Tutelar, a creche - localizada na quadra 1 da rua Antônio Alcazar - foi interditada por volta das 16h30 de ontem por falta de condições de higiene e por não apresentar nenhuma licença de funcionamento. De acordo com Elaine Rizatto, substituta da diretora de Divisão da Vigilância Sanitária, o seu departamento recebeu uma denúncia, em dezembro passado, sobre o funcionamento de uma creche irregular no Núcleo Beija-Flor.

Desde então, a creche teria sido visitada e orientada a regularizar a situação. Tatiane das Graças, uma antiga funcionária da entidade, conta que Celestino chegou a dar entrada no registro da entidade. “Eu mesma fazia as ligações. Mas toda a vez eles pediam papéis novos. A gente corria atrás e nunca tinha fim”, lembra.

Quando uma verdadeira caravana composta por Polícia Militar, técnicos da Vigilância Sanitária, representantes das secretarias de Educação e Bem-Estar Social e do Conselho Tutelar chegou ao endereço da creche ontem, a entidade estava fechada. Segundo um vizinho, desde o início das férias não havia movimentação no local.

Os portões da creche foram lacrados e cartazes explicando os motivos da interdição foram afixados. Também foram afixados dois avisos comunicando os pais que a entidade foi procurada diversas vezes para fornecer a lista de alunos para alertar as famílias sobre as irregularidades. A creche não atendeu os pedidos. Já um aviso afixado numa parede interna, pregado pela direção da creche, alertava os pais para colocar a mensalidade em dia.

O dinheiro arrecadado seria utilizado para pagar o salário de uma cozinheira e de duas funcionárias que cuidavam das crianças. Celestino conta que oferece café da manhã, almoço e café da tarde às crianças.

De acordo com o comunicado da prefeitura, as famílias das meninas e meninos atendidos devem procurar o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) da avenida Alfredo Maia, na Vila Falcão, para encaminhar seus filhos. De acordo com Rizatto, a estrutura da casa é precária.

Ontem, as crianças atendidas pela creche clandestina estavam no Centro Comunitário do Núcleo Beija-Flor. No local, foi encontrada Celestino, que tomava conta dos meninos e meninas. Ao ser informada da interdição da creche, ela se revoltou. “As crianças não têm onde ficar. Os pais não têm onde deixar seus filhos”, conta.

Ela garante que a creche já não estava mais em funcionamento, mas conta que abriu a centro comunitário para receber as crianças. “Ninguém consegue vaga em creche aqui perto”, critica. Nervosa com a presença de tanta gente para entregar a notificação de interdição, ela passou se manifestar contra a administração municipal, afirmando que procurou ajuda, mas que nunca foi atendida. “Dá uma olhada no posto de saúde. Você nunca consegue ser atendido. Pedi para deixarem uma rua perigosa com mão única, mas me negaram. Nunca conseguimos nada com o prefeito”, gritava.

De acordo com a conselheira tutelar Franciane Toniatto, que acompanhou a ação, será solicitada uma vistoria para o centro comunitário, para avaliar se o local possui condições de receber crianças. “Uma creche só pode começar a funcionar, se cumprir todos os requisitos”, aponta.

____________________

Vagas

Na semana passada, a Secretaria Municipal de Educação anunciou que 1.176 crianças de até 6 anos ficarão fora da escola nos primeiros meses deste ano letivo por falta de salas de aula. De acordo com a chefe da divisão de educação infantil da Secretaria de Educação, Maria de Lourdes Pieroni, a estimativa é começar a atender esses alunos, que têm entre 6 meses e 6 anos de idade, ainda no primeiro semestre deste ano. Porém, não há uma data precisa de quando isso irá ocorrer.

Segundo ela, a proposta em estudo para suprir a demanda é transformar cinco das 45 escolas municipais de educação infantil (Emeis) em escolas municipais de educação infantil integrada (Emeiis), onde o aluno, em vez de ficar quatro horas por dia, permanece na instituição das 7h30 às 17h.

Comentários

Comentários