Hoje, Dia Mundial da Religião, os bauruenses mostram que são um povo de fé. Prova disso é a imensidão de templos e igrejas espalhados ao redor da cidade. São tantos que nem mesmo a prefeitura é capaz de afirmar com certeza quantos estabelecimentos do gênero estão instalados no município. Mesmo com toda essa dificuldade, a Secretaria Municipal de Finanças estima que esse número seja superior a 300.
Apesar de contarem com uma presença maciça em todos os bairros, é na região noroeste que as igrejas são mais fáceis de ser encontradas. No Parque Jaraguá, elas chegam a ser mais numerosas que os bares. Caminhar pelo bairro sem avistar um templo, por pequeno que seja, é algo quase impossível.
Alguns são imensos, outros nem tanto. Enquanto o salão da Igreja Internacional existente no bairro comporta mais de uma centena de fiéis, o imóvel onde funciona a Esperem em Jerusalém é capaz de receber algumas dezenas deles somente.
Alguns nem mesmo se parecem com locais sagrados de oração. O templo da Igreja Evangélica Pentecostal Jesus é a Paz no Parque Jaraguá, por exemplo, funciona em uma pequena edícula, localizada nos fundos de uma construção inacabada.
São as obras da futura sede da congregação no bairro. Quando ela ficar pronta, será mais uma das centenas de igrejas pentecostais instaladas em Bauru. Pelo andar da carruagem, isso ainda vai demorar para acontecer, pois a edificação do local está sendo feita apenas aos finais de semana, graças ao esforço solitário do pastor Silvestre Eleodoro Filho, representante da Jesus é a Paz no Parque Jaraguá.
Seja como for, atualmente as igrejas evangélicas são bem mais fáceis de ser encontradas do que as das demais religiões. A desproporção é tão grande que as capelas católicas chegam a se parecer a pequenas ilhas perdidas em um mar de templos pentecostais.
Essa proliferação dos locais de oração mantidos por evangélicos tem sido mais acentuada nos últimos anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística referentes a 2000 (ano do último Censo) indicam que, atualmente, a religião evangélica já responde por 17,04% da população brasileira.
Se esses números fossem projetados para a realidade de Bauru, a cidade (que tem cerca de 350 mil habitantes) contaria hoje com quase 60 mil evangélicos. Os católicos, que no plano nacional representam 70% dos fiéis, seriam aproximadamente 245 mil. Espíritas, umbandistas e freqüentadores do candomblé somariam cerca de 9.000 pessoas, 2,58% do total.
“Esta é uma tendência que vem se afirmando desde o começo do século passado. Primeiro houve uma predominância do catolicismo, que na época era a religião do Estado. Logo em seguida, ocorreu a popularização dos ritos ligados ao espiritismo, com o kardecismo e os cultos originados na África. Por fim, já na década de 80, com a crise financeira, as religiões pentecostais e as seitas esotéricas passaram a registrar um avanço vertiginoso”, explica a pesquisadora Dalva Aleixo Dias, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
O crescimento das religiões evangélicas é grande e as lideranças católicas se esforçam para conter a “sangria” de fiéis. Além das missas da Renovação Carismática, a Igreja tem apostado no trabalho de leigos para chegar até os lugares mais afastados de Bauru.
Mas nada de copiar o modelo adotado pelos evangélicos, semeando centenas de pequenas capelas em todos os cantos da cidade. “Não adianta a gente abrir um monte de igrejas e depois não dar conta de cuidar”, pensa o frei Ernani Pereira Marinho, responsável pela paróquia de São Paulo Apóstolo, na zona norte da cidade.
Por diferentes que as religiões sejam entre si, todas procuram encontrar uma forma de chegar até os fiéis. O Templo Escola de Umbanda Sagrada resolveu transformar até a Internet em um meio de “evangelização”: ela mantém no ar um site com conteúdos em áudio e vídeo relacionados à crença. Uma verdadeira emissora de TV.
Além desses métodos, as religiões também buscam transformar a vida das pessoas através de projetos e ações de caráter social. Só que nessas ocasiões, ao invés de brigarem entre si para arregimentar novas ovelhas para o rebanho, as diferentes igrejas preferem se unir para proporcionar uma vida mais digna aos bauruenses necessitados.