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Melhoria contínua


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A nova família

As primeiras empresas do mundo costumavam se denominar como companhias, pois eram criadas para o trabalho, o lucro e, principalmente, para serem locais onde as pessoas pudessem ter companhias e desenvolver amizades. Pepsi Company e Companhia Paulista de Força e Luz deram exemplo disso em suas razões sociais.

De lá para cá muitas mudanças ocorreram. Junto com as evoluções do capitalismo e da competição, o individualismo conquistou espaço acima do normal, atingindo seu ápice no final do século 20, de maneira generalizada.

Todavia as grandes e rápidas mudanças ocorridas durante a última década de 90, de alguma forma, geraram necessidades de trabalho em equipe dentro das organizações. Em face disso, se tornou comum empresários e executivos dizerem que a empresa é a segunda família, de forma simples e superficial, estimulando procedimentos nesse sentido, considerando a convivência diária e intensa.

A rigor, a família é uma instituição social inteligente, que compreende pessoas ligadas entre si por laços consangüíneos e com propósitos de cooperação, de bondade, de compreensão, de confiança, de desenvolvimento do amor e sobretudo de respeito a cada um. Por sua vez, numa empresa os laços são profissionais e o que se vê nela, geralmente, é a sociedade em miniatura, levando em conta que lá se encontra quase de tudo: orgulho, humildade, egoísmo, altruísmo, inveja, fraude, honestidade, falsidade, verdade, injúria, fofoca, intriga, bondade e outros atrasos e avanços morais.

Dentro dessa lógica, em quais itens a empresa se assemelha á família? De forma resumida: nas necessidades de liderança, de previsão orçamentária, de receita, de controle financeiro, de educação continuada, de manutenção de saúde, de normas de conduta e de ética.

Por outro lado, em que pontos se diferenciam? Na segurança: não atingiu as expectativas em uma empresa privada, o funcionário é convidado a se retirar, diferentemente do núcleo familiar, conseqüentemente, gera acomodação nos integrantes da família. Na visão de futuro: as empresas traçam para onde querem ir, bem como as respectivas estratégias. As famílias deixam a desejar nesses itens, de maneira geral. Na organização: geralmente as empresas padronizam as armazenagens e reduzem os desperdícios de tempo, o que normalmente não ocorre nas famílias; Na integração: com tais propósitos, ocorrem muitas reuniões em uma empresa, diferentemente das famílias. Tanto é que são poucas famílias, nas grandes cidades, que conseguem reunir todos os familiares no almoço diário. Dedica-se mais tempo à empresa do que a família. Na liderança: as famílias determinam aos pais, por terem mais anos de estrada, o que algumas vezes deixam muito a desejar, bem diferentemente das organizações, que normalmente apontam o líder pela meritocracia.

Percebe-se claramente que a empresa moderna alarga, nos dias atuais, o conceito de família, com uma visão mais ampla de vivência coletiva. Sem considerar que as empresas de vanguarda estão abraçando a causa da prática da responsabilidade social. Já no tocante à família é muito comum encontrar essa instituição focando exclusivamente o seu próprio grupo, vivendo de forma neurótica uns para os outros. Limitam a liberdade de pensar, falar e agir e, conseqüentemente, inibem o desenvolvimento moral e espiritual de cada um, que deveria ser respeitado baseado no livre arbítrio da vida.

Será que as empresas estão se tornando a primeira família? Se isso realmente está acontecendo, quais serão as conseqüências? Os pais estão errando? Qual é o papel da escola nisso tudo? O espaço é curto demais para tantas reflexões, mas, de qualquer forma, pense um pouco sobre isso.

Davison de Lucas é diretor da M.Davison & Associados, consultor organizacional e palestrante.

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