Você já sentiu tontura, desequilíbrio, vertigem ou sensação de estar flutuando em nuvens? Estes são os principais sintomas das vestibulopatias ou labirintopatias, denominadas popularmemte como labirintite, doença que atinge o labirinto, um órgão do ouvido localizado próximo aos ossos do crânio e responsável pelas funções de audição e equilíbrio.
Para muitos, a labirintite é considerada uma patologia típica de idosos, mas ela afeta pessoas de todas as idades, inclusive crianças. “O fator idade, inclusive, é muito importante para o diagnóstico da doença”, observa o otorrinolaringologista Rodrigo Bizeli. Outra informação equivocada é classificar todas as doenças do labirinto com o nome de labirintite. Isto porque existem dezenas de enfermidades ou distúrbios que atingem o órgão, e cada uma delas têm características próprias, as quais exigem formas especiais de tratamento.
Segundo Bizeli, uma das labirintopatias mais freqüentes é a Vertigem Postural Paroxística Benigna (VPPB), que apresenta breves e repentinos episódios de vertigem – um tipo de tontura. A otorrinolaringologista Márcia Betting compartilha da mesma opinião. De acordo com ela, esta patologia é mais comum entre mulheres e pessoas acima dos 40 anos.
Uma recente pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) aponta que a VPPB atinge 20% dos casos, número expressivo se comparado aos diversos tipos de labirintopatias. “Embora sejam breves, as vertigens provocadas pela VPPB perturbam bastante por que costumam ocorrer várias vezes ao dia”, diz. Além disto, estes episódios podem estar associados à movimentação da cabeça. “Vários pacientes relatam que sentem tontura quando viram a cabeça e olham para o lado”, detalha.
Outra labirintopatia comum é a cinetose, que em geral é benigna, transitória e muito freqüente em crianças, aponta a otorrinolaringologista. Ela é conhecida como doença do viajante ou mal do passageiro, porque o indivíduo costuma ter tonturas e náuseas quando está em movimento, dentro de automóveis, ônibus, aviões ou barcos, diz Betting. De acordo com ela, a enfermidade não tem causa definida, mas está associada a um conflito de informações entre os sensores, que em pessoas mais sensíveis podem comprometer o senso de equilíbrio.
Isto pode ocorrer quando a pessoa está sentada em uma sala interna de um navio, sem janelas. Os olhos e a musculatura “informam” que ela está parada, mas, devido ao movimento da embarcação, os labirintos podem “informar” que ela também está em movimento. Sensação semelhante ocorre com a criança ou adulto que viaja no banco de trás de um carro ou ônibus. “Esta pessoa não possui a mesma imagem que o motorista tem, quem está no banco traseiro só vê as ruas e objetos passarem rapidamente”, detalha Betting.
A boa notícia é que, assim como a VPPB, a cinetose pode ser tratada, diz. Com crianças, observa a otorrinolaringologista, uma das maneiras é estimular brincadeiras, como carrossel e gira-gira, que fazem com que elas se habituem aos movimentos e não tenham conflito de informações sensoriais. Já para os adultos, um dos métodos é o tratamento profilático. “O adulto pode, por exemplo, tomar um remédio específico, que deve ser indicado pelo médico, minutos antes de entrar em um ônibus ou fazer uma viagem longa”, diz.
Betting ressalta que, além da tontura, as patologias do labirinto podem ter outros sintomas, como náuseas, vômitos, palidez, queda da pressão, sudorese, dificuldade em parar em pé, dores de cabeça, alterações motoras, diminuição da audição, zumbido ou sensação de pressão no ouvido. “Em casos agudos, a pessoa pode ter apenas um ou diversos sintomas associados. Nunca há uma regra definida”, alerta.