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Sarampo volta à fase anterior à erradicação

Por Thiago Reis | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O número de casos de sarampo explodiu na Bahia, fazendo a doença voltar ao estágio pré-erradicação no Brasil. O Ministério da Saúde confirmou hoje 43 casos em 2006 no Estado. Com isso, foram registrados mais casos no ano passado do que em 2000 - um ano antes de o sarampo ser considerado erradicado e a última vez em que foi registrado um caso autóctone (contraído no próprio País).

A Secretaria da Saúde da Bahia diz que há uma “epidemia” e que, pela primeira vez em sete anos, há casos autóctones, apesar de ela ter tido início em um caso importado. “Diferentemente do ano passado, quando um surfista trouxe o sarampo das Ilhas Maldivas e contaminou os outros doentes, (desta vez) houve uma transmissão em cadeia. Um pegou e passou para outro”, afirma o secretário da Saúde, Jorge José Pereira Solla.

Os casos foram confirmados nas cidades de Filadélfia (24), João Dourado (18) e Irecê (1). Ainda há 54 casos sob investigação em outros oito municípios, incluindo Salvador. Só em Senhor do Bonfim há 44 pessoas com suspeita de ter contraído sarampo. Vitória da Conquista, Macaúbas, Candeias, Barra do Choça, Ipirá e Central também concentram casos sob exame sorológico.

Para Solla, no entanto, a situação é diferente de 2000, quando os 36 registros da doença foram distribuídos por Acre (15), Amazonas (2), São Paulo (14), Rio de Janeiro (1), Paraná (2), Santa Catarina (1) e Mato Grosso do Sul (1).

Uma das principais causas para o número de casos é a cobertura vacinal. Na Bahia, ela é de 96% em média. Há, no entanto, locais, como a própria Filadélfia, onde 89% das crianças com 1 ano de idade haviam sido vacinadas no ano passado. Um outro dado que chama a atenção é que a maior parte dos casos confirmados é de homens de 12 a 39 anos. Para a secretaria, isso ocorre em razão da resistência deles em receber a vacina tríplice viral - a única forma de prevenção.

No dia 20, haveria uma campanha estadual de imunização deste grupo de risco. Nos aeroportos baianos, há banners e avisos sonoros alertando os visitantes para a vacinação, que é feita em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), caso não tenham tomado a dose.

A transmissão do sarampo ocorre diretamente de pessoa a pessoa, por secreções nasofaríngeas, expelidas ao tossir, espirrar ou falar. Os sintomas são febre, tosse e dores no corpo.

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Revacinação

Mesmo os adultos que já contraíram sarampo na infância devem ser revacinados caso planejem ir para a Bahia neste período, recomendam os médicos. Segundo o infectologista Otávio Augusto Leite Cintra, do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, não é garantido que as pessoas imunizadas (que foram vacinadas ou contraíram a doença) há muito tempo ainda estejam protegidas contra o sarampo.

Cintra explica que, com o tempo, a tendência é haver uma diminuição da quantidade de anticorpos no organismo, o que pode não garantir uma proteção adequada em situações de surto. Não se sabe ao certo a duração da imunidade obtida pela vacina anti-sarampo ou pela doença.

O Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra o sarampo para as pessoas que viajarem para os locais onde haja incidência ou suspeita de casos. Quem viajar para fora do continente americano também deve se vacinar contra o sarampo. “Isso é necessário para que o viajante, quando voltar, não corra o risco de trazer o vírus do sarampo ao País”, recomenda Expedito Luna, diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde recomenda, ainda, às pessoas que forem viajar para a Amazônia e para a África que tomem a vacina contra febre amarela. A dose tem validade de dez anos e leva dez dias para surtir efeito. A febre amarela se transmite quando um mosquito que picou um macaco infectado – reservatório da doença – pica o homem.

Da Redação com Folhapress

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