Articulistas

Sob a bandeira da apatia


| Tempo de leitura: 2 min

Dizem que o estresse é o mal do século. Acredito que um concorrente forte a este título seja, também, a apatia! No dicionário, apatia é definido como estado de insensibilidade, impassibilidade, indiferença. Já o termo apático é referido como tornar-se patife ou desprezível. Helen Keller já afirmava, décadas atrás, que “a ciência poderá ter achado a cura para a maioria dos males, mas ainda não achou remédio para o pior de todos, a apatia dos seres humanos”. Pouco tempo atrás, veiculou-se uma mensagem que dizia “Sou brasileiro e não desisto nunca”. A frase ganhou diversas versões e, coloquialmente falando, ela “pegou”! Mas vamos refletir um pouco. Será que jamais desistimos mesmo?! O que fizemos quando:

1) Em atitude autoritária e extremamente arrogante os deputados tentaram proporcionar a si mesmos um aumento de 90% nos salários?

2) Observamos inúmeras absolvições de políticos envolvidos em escândalos?

3) Verificamos, neste começo de ano, o aumento de taxas e impostos superiores quando comparados aos índices de inflação?

4) Soubemos que os suplentes de representantes eleitos pelo povo estão indicando assessores, para o período de um mês a fim de receberem salários, mesmo em recesso (ou seja, em palavras mais claras, sem trabalhar)?

Sabe qual a maioria das respostas às situações acima? Nada! Absolutamente nada! Somos desanimados e apáticos frente ao futuro de nosso país. Quantos de nós ouvimos e repetimos, constantemente, as seguintes frases: “No Brasil, nada vai para frente” ou “Só no Brasil mesmo para isso acontecer”, ou ainda “Estou cansado disso tudo”. Porém, continuamos em nossa vida, sem procurarmos modificar nada, sem expressar a nossa opinião, sem nos organizarmos. E a questão não é agir violentamente ou prejudicar terceiros em buscas de interesses individuais (como greves que paralisam hospitais ou estradas que são fechadas, impedindo a circulação de produção agrícola, entre outros atos impróprios), mas sim termos uma sociedade organizada mais atuante, associações que defendam nossos direitos de verdade, políticos preocupados em representar decentemente seus eleitores e, acima de tudo, exercer a nossa função de cidadão!

Por isso, é necessário buscar informações, discuti-las e passar adiante. Somente desta maneira será possível melhorar a sociedade e deixarmos de ser simples massa de manobra para fins eleitorais, e abandonarmos, finalmente, a condição de povo continuamente explorado! Pois, conforme Kant já escreveu no passado “quem anda de rastros, como um verme, nunca poderá queixar-se de que foi pisado por alguém”. Pense nisso!

O autor, Ricardo Henrique Alves da Silva, é cirurgião-dentista, professor universitário e consultor em saúde - e-mail para contato: ricardohenrique@usp.br

Comentários

Comentários