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Inflação é maior para os idosos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A inflação no ano passado ficou em 2,06% de acordo com o Índice de Preço ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Entretanto, quando é calculada a variação no custo da cesta de consumo de famílias compostas majoritariamente por pessoas com mais de 60 anos, a realidade é um pouco diferente. Neste caso, a inflação sobe para 2,26%. É o que mostra o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), divulgado pela FGV no início deste ano.

Os gastos com saúde foram os que mais pesaram no bolso dos idosos. Eles subiram 11,20% no ano passado, puxados pelos planos e seguros de saúde. Na medida em que a idade avança, as despesas com médicos, exames e remédios tendem a crescer na mesma proporção.

Se houvesse no Brasil um sistema público de saúde eficiente, esse gasto seria desnecessário, mas não é essa a realidade. Por isso, um plano de saúde é indispensável para quem procura e necessita de atendimento rápido. “Sem um plano de saúde você tem duas opções: paga caro por uma consulta e um exame ou então entra na fila do SUS (Sistema Único de Saúde) e fica esperando”, comenta Marta Rosa Ribeiro, 40 anos.

Em razão de convulsões e problemas no coração, ela sempre necessita de atendimento médico rápido. Marta conta que quando precisou de uma tomografia computadorizada foi prontamente atendida pelo plano de saúde. “Se fosse pelo SUS estaria esperando até hoje”, afirma.

Mas não é todo mundo que consegue pagar um plano de saúde. Além da despesa com o plano, há também o gasto com medicamentos, que não é pequeno em alguns casos. Isso fez com que a comerciante Maria Goreti Di Giacomo, 46 anos, migrasse para um plano mais em conta para o pai Victorino Di Giacomo, 82 anos.

Mesmo assim, a despesa é alta. Ela revela que o salário mínimo que o pai recebe da Previdência Social não é suficiente nem para cobrir os gastos com a saúde, muito menos com as outras “necessidades vitais básicas” como moradia, alimentação, educação, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. De acordo com a Constituição Federal, o salário mínimo deveria cobrir tudo isso.

Segundo Maria Goreti, o gasto com medicamentos é elevado. Além disso, por causa do plano mais em conta, eles precisam pagar a metade do valor das consultas e exames, o que eleva ainda mais as despesas.

Uma alternativa que acabou dando certo para não onerar tanto o associado foi adotada por uma associação de funcionários públicos do Estado. Um ex-funcionário da Secretaria de Segurança Pública, de 61 anos, que pediu para não ser identificado, paga R$ 100,00 de mensalidade pelo plano de saúde.

Com isso, ele e a mulher têm descontos nas consultas e exames que fazem, além de um abatimento na compra de medicamentos e até mesmo de outros itens, como óculos, por exemplo.

Quando o valor extrapola uma determinada porcentagem da aposentadoria, a despesa é dividida em parcelas. A idéia, segundo o aposentado, é não permitir que os associados fiquem sem dinheiro para passar o mês.

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