Tribuna do Leitor

Descaso sem limites


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É impressionante o descaso das autoridades bauruenses para com a cidade. Em especial do seu principal administrador, alcaide eleito pelo voto do povo para trabalhar exclusivamente para o povo dessa nobre cidade. Ao andarmos pelas ruas e avenidas de todas as regiões da cidade nos deparamos com uma imundície jamais vista em tempo algum. Mato crescendo pelas calçadas e invadindo praças e logradouros públicos. Coisas simples de serem solucionadas com trabalho e criatividade se transformam em imagens altamente negativas para a cidade de Bauru.

É lixo jogado por toda parte, são imóveis públicos e privados pichados e/ou deteriorados em estado de abandono como aquele viaduto imenso que seria útil não fossem os inúteis burocratas desinformados e com desconhecimento profundo do que significa uma obra de engenharia viária para o futuro. Proliferam os buracos, ondulações e imperfeições na malha viária da cidade sem que nada seja feito, sem que nenhum plano seja estabelecido e cumprido dentro dos cronogramas. A sociedade reclama, mas não se uni para tentar pressionar a Prefeitura e a Câmara dos Vereadores para que soluções sejam colocadas em prática urgentemente.

Por falar em vereadores, como é importante essa eleição para a direção daquela casa do povo? Tão importante que o presidente de uma importante autarquia deixa a presidência daquela empresa para simplesmente comparecer a uma única sessão da Câmara no dia da eleição da mesa diretora. Em seguida abandona a vereança e volta tranqüilamente à sua rotina na presidência do DAE. Que moleza, hein? Se fosse um trabalhador comum que pedisse uma licença para assuntos sérios, correria o risco de ir para a rua, teria de enfrentar a burocracia, complicações e indeferimento.

O trânsito continua matando e a única coisa que ouvimos das autoridades é quanto à instalação de novos radares contratados junto a empresas que desconhecemos, cujos donos ninguém do povo conhece e cujo montante arrecadado é parte de uma indústria que movimenta milhões por ano. Educação, policiamento ostensivo e preventivo nem pensar. Radar resolve tudo. Só não evita menores dirigindo alcoolizados, adultos sem habilitação, veículos sem as condições mínimas rodando a vontade sem que sejam sequer admoestados pela autoridade policial, mas o que importa é o radar.

O centro da cidade, coração do nosso comércio, está infestado de ambulantes nas calçadas impedindo o livre trânsito daqueles que pagam impostos e são os únicos responsáveis por milhares de empregos entre os comerciantes. Além das calçadas os ambulantes usam as ruas para estacionarem seus veículos sem que se dêem ao trabalho de colocar os comprovantes de pagamentos da zona azul de hora em hora. Basta passar pelas ruas centrais e observar aquilo que os fiscais do trânsito e da prefeitura parece que não conseguem ou não querem ver. A iluminação pública de Bauru está entre as piores do Estado, qualquer lampião de gás ilumina melhor que as luzes caras da empresa prestadora desses serviços aqui em nossa cidade. Nenhuma cidade do porte de Bauru é tão escura, talvez seja estratégia para pelo menos a noite sejam camufladas as sujeiras e os buracos, mas com certeza não é prática comum em cidades progressistas e bem administradas cujas empresas prestadoras de serviços também se preocupem com seus consumidores. A última grande notícia para a população foi a de que quase uma tonelada de carne destinada à merenda escolar das creches municipais estragaram. Como das vezes anteriores provavelmente dessa também haverá muita discussão, muito irá se falar, mas ninguém irá ser despedido, punido e incluso nas penas da lei.

O cidadão comum que se vire para parar seu carro em estacionamentos, ou em ruas transversais longe do centro, sujeito a roubo e dores de cabeça. Viva o consumidor, viva o contribuinte em dia com suas obrigações. Viva o 12, Tuga é doze e o povo, bem, o povo é zero para eles.

Rafael Moia Filho

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