Internacional

UE observa disputa eleitoral na Sérvia

Por Adriana Marcolini | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Belgrado - As eleições legislativas que têm lugar hoje na Sérvia estão atraindo a atenção da União Européia (UE) como há muito não se via. Vários líderes do continente estiveram em Belgrado na semana passada e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, cujo país exerce no momento a presidência da UE, acompanha de perto os acontecimentos.

A razão é simples: não se decidirá apenas os partidos que conseguirão obter pelo menos os 5% exigidos para ingressar no Parlamento de 250 cadeiras, mas, indiretamente, também estarão em jogo a possibilidade de um dia a Sérvia ingressar na UE e o futuro da província sérvia de Kosovo, administrada pela ONU desde a intervenção americana de 1999.

De acordo com o jornal britânico “Financial Times”, pesquisas apontam para uma disputa acirrada entre o PD (Partido Democrático), que defende o ingresso na UE e a integração da Sérvia na Otan, a aliança militar liderada pelos EUA, e o PRS (Partido Radical Sérvio), que rejeita a cooperação militar com a Otan e demonstra indiferença em relação à UE.

O PD, liderado pelo atual presidente sérvio, o reformista Boris Tadic, contar com 30% das intenções de votos; contra 27% registrados nas pesquisas para o PRS, cujo líder, Vojislav Seselj, está sendo julgado no Tribunal Penal das Nações Unidas para a ex-Iugoslávia, sob a acusação de dirigir a limpeza étnica nas guerras dos anos 1990 na ex-Iugoslávia.

Proposta da ONU

Vários analistas políticos acreditam que a formação do governo sérvio poderá levar mais tempo que o normal, tendo em vista que o negociador da ONU para Kosovo, o finlandês Martii Ahtisaari, apresentará sua proposta sobre o estatuto definitivo da província na sexta-feira. A tensão da espera deve atingir a todos os partidos.

Estudioso dos Bálcãs, Jacques Rupnik elogia a idéia da UE de manter uma missão em Kosovo, depois que a ONU se retirar. “A missão teria a tarefa de monitorar a implementação do acordo que, espera-se, deverá ser alcançado, e de facilitar a evolução de Kosovo na direção de algum tipo de independência”, afirma.

“Kosovo será um teste para a UE; se ela falhar, não terá credibilidade para atuar em outras questões relevantes como o Oriente Médio.” O certo é que as eleições de hoje não mudarão a política de Belgrado em relação a Kosovo, mas vão influenciar a maneira como a comunidade internacional trata a questão.

Se o Partido Radical sair fortalecido, pode-se considerar a hipótese da imposição internacional de uma solução. Caso os outros partidos tenham um bom desempenho, aumentam as chances de uma solução negociada.

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