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Novos desafios para a infra-estrutura aeronáutica


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A prática de chamar um táxi para qualquer deslocamento numa cidade é algo comum, mesmo nas regiões mais remotas do mundo. Alberto Santos Dumont, na velha Paris do início dos anos 1900, chegou a fazer isso pelo ar quando usava seus balões para visitas ou para chegar a algum lugar. Nos dias de hoje, no Século XXI, a despeito do desejo dos usuários do transporte aéreo de fazer o mesmo, embora possível, é significativamente difícil. Restrições várias são colocadas e todas justificadamente em nome da segurança de vôo. O resultado é que na atualidade há uma enorme distância entre a liberdade de uso pelos automóveis nas ruas e nas estradas em comparação aos aviões nas aerovias.

No momento, vários fabricantes internacionais se debruçam sobre uma demanda clara do passageiro aéreo que desejar voar para seu destino no horário que fixar. Daí entrarem nos escritórios de projetos, das mais importantes empresas do mundo (inclusive nos da nossa EMBRAER), opções para produzir jatos leves (Very Light Jets), que deverão ser vendidos a preços mais baixos e estarão previstos para usos bem mais ampliados do que os aparelhos atuais. Esses novos produtos demandarão usos mais abertos e livres do espaço aéreo. Cabe, portanto, a constatação de que o número de aviões em vôo em futuro não muito remoto será apreciavelmente maior do que os de hoje.

O que ocorrerá com a infra-estrutura para que isto possa acontecer?

Independente do conforto para os usuários que tal opção ofereceria, do lado da realidade na qual já vivemos, tem-se de pensar no futuro dos atuais aeroportos. Áreas limitadas e crescentemente congestionadas, oferecendo condições de operar unicamente com os atuais “ônibus aéreos”, crescendo em capacidade para transportar centenas de passageiros e toneladas de carga. Não é difícil antecipar a geração de problemas logísticos sérios.

Comparando com o que aconteceu com outros produtos, os mais variados, pode-se inferir que, como regra desde o passado, o uso individual tende a superar soluções coletivas, por mais conveniente que seja para o público em geral e mesmo para a sociedade. A tendência do indivíduo é tentar ao extremo satisfazer sua necessidade, independente do respeito ou obediência que possa ter em relação aos interesses coletivos. Isto poderá acontecer no transporte aéreo, por menos plausível que seja nestes momentos.

A agência norte-americana NASA identificou a possibilidade do uso ponto-a-ponto do avião pessoal (que pode incluir os táxi-aéreos) num programa denominado SATS (Sistema de Transporte com Aviões de Pequeno Porte), via um programa de pesquisas que visa aliviar a pressão em aeroportos congestionados e criar alternativas livres de eventos como o ataque terrorista de Nova York, em 11 de Setembro de 2001. Com o contínuo crescimento da demanda pelo transporte pelo ar, superando a gigantesca cifra de 2,2 bilhões de passageiros neste 2006 e as perspectivas dos novos VLJ’s, parece que estamos em tempo de se pensar sobre o assunto.

Boas e novas idéias precisam ser pensadas para enfrentar o contínuo crescimento da demanda e a impossibilidade de se prover a infra-estrutura necessária nos grandes aeroportos, cada vez mais mostrando a incapacidade de tratar massas de pessoas se movimentando em estreitos canais de passagem, controles de segurança, detectores de metais, etc.

As novas gerações de aviões mais baratos, modernos, menores e bem equipados, operando em aeroportos periféricos, podem ser uma resposta. Sem dúvida, o futuro o dirá, mas este é um bom um problema a desafiar os planejadores.

O autor, Ozires Silva, é fundador e ex-presidente da Embraer e ex-ministro da Infra-Estrutura

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