Economia & Negócios

Indústrias ganham com descarte correto de lixo

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Preservar o meio ambiente no setor industrial deixou de ser apenas uma necessidade para não enfrentar o rigor da legislação. Prezar pela redução de dejetos poluentes passou a representar muita economia para as empresas de Bauru, principalmente às de grande porte, onde a geração de lixo industrial é consideravelmente maior.

Nessas companhias, as sobras dos processos de produção potencialmente nocivas à natureza e ao homem estão sendo racionalizadas. O que pode ser reaproveitado, não está sendo eliminado indiscriminadamente. A constatação é de José Luiz Miranda Simonelli, diretor do Departamento de Ação Regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em Bauru.

Segundo ele, a maior parte do parque industrial do município leva em consideração o descarte correto do lixo que produz. “A fiscalização dos órgãos ambientais incentiva muito esse controle. Mesmo quem não produz dejetos industriais em larga escala, está otimizando os recursos. Estão utilizando, de forma mais racional, a energia elétrica, a água e todos os demais recursos naturais dos quais dependem”, destaca.

Alcides Tadeu Braga, gerente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) em Bauru, compartilha a opinião de Simonelli. Para ele, os empresários estão respeitando mais as determinações da lei. Mas o incentivo econômico que a responsabilidade com o meio ambiente exige é mais decisivo no processo.

“Quanto menos lixo a indústria gerar, melhor. Menos dinheiro ela vai perder. Essa vantagem também está sendo muito decisiva”, avalia.

Braga diz que as empresas infratoras procuram resolver o problema logo na advertência que é expedida pelos fiscais da Cetesb. A aplicação de multa é pouco freqüente, afirma ele.

As principais infrações cometidas pelas indústrias - e também mais recorrentes - são a queima de resíduos em locais inapropriados, o descarte incorreto no solo de materiais poluentes e o descuido com a dissipação do odor do lixo industrial.

Neste ano, de acordo com Simonelli, a Fiesp prevê realizar em Bauru eventos de educação ambiental destinados à classe industrial. O objetivo é orientar a categoria no acondicionamento correto do lixo resultante de processos químicos, que são altamente agressivos ao meio.

Simonelli adianta que, ainda neste ano, podem ser viabilizados cursos de extensão em gestão ambiental no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Em 2006, a Fiesp promoveu em Bauru o seminário Resíduos Industriais - Aspectos Legais e Práticos”. O evento abordou o descarte correto do lixo industrial produzido pelas fábricas.

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Exemplo

Reaproveitar tudo. Essa foi a filosofia de uma indústria de baterias de Bauru responsável pela empresa ter obtido, em setembro do ano passado, o certificado de ISO 14.000.

A companhia, que inclusive exporta para o Exterior, aproveita, até a água da chuva. O volume é captado num tanque com capacidade para 1 milhão de litros e, depois de uma análise de qualidade, é usado para descarga sanitária.

Além disso, conforme o diretor industrial da empresa, Sérgio Luís Fioravante, todos os resíduos químicos e as sucatas das baterias são reutilizados. Quando isso não é possível de ser feito, recebe a destinação exigida pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

“Fora isso, fazemos o monitoramento constante da qualidade do ar, do solo e da água subterrânea. Investimos em todo um sistema tecnológico que nos permite tudo isso. O retorno vem em economia com as despesas de consumo de água, energia, combustível. De fato, é uma série de ganhos, não somente para a gente, mas também para o meio ambiente”, ressalta.

Fioravante diz que os funcionários também passaram por um processo de educação ambiental, que, inclusive, envolveu a participação de seus familiares.

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