Tribuna do Leitor

Flavião, meu amigo


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Pôxa, cara, juro que eu não imaginei que você fosse embora tão cedo, pensei que fosse dar a volta por cima como das outras vezes e que em breve já estaria junto de nós, seus amigos e familiares. Fiquei abalada, assustada e com um buraco no peito. Sua ânsia por viver era tanta que fica difícil aceitar. Afinal de contas, são 45 anos de amizade como você sempre gostava de enfatizar. Sabe, amigo, se eu pudesse defini-lo, diria: “passional”, ou seja, paixão por tudo que fazia, pelo trabalho, pelo esporte, pelos amigos e principalmente pela família. Vestia a camisa mesmo. Gostava sempre de celebrar a vida organizando reuniões de aniversário, festas de fim de ano, enfim, reunindo sempre os que lhe eram caros.

Um homem ansioso, sempre com pressa, não gostava de conversas longas, às vezes se estressava por pouco, mas era o amigo presente com palavras de conforto, com a mão sempre estendida num gesto de solidariedade. Seu coração era tão grande que não agüentou. Comigo então, com respeito à minha vida esportiva foi sempre meu torcedor número um. Me lembro de uma ocasião em que durante um jogo em que eu jogava mal e de repente olhei pra arquibancada e o vi gritando, gesticulando, desesperado, aquilo me deu um ânimo, uma força, acabei fazendo uma cesta linda e você vibrando dizia, é isso aí “Jarcira” (apelido carinhoso), vamos lá, e acabamos vencendo o jogo.

De outra feita, quando o jogo “Guedes e Instituto” mobilizava a cidade, num jogo na “Panela de Pressão”, meu time perdeu (Guedes) e eu fui cumprimentar, muito triste, minhas adversárias no final da partida e por esse gesto mereci de você uma matéria muito especial e elogiosa que me consolou e envaideceu ao mesmo tempo. Sem contar quando a Luso, clube em que eu jogava, fazia uma festa de final de ano para os atletas, você sempre arrumava um jeito de me premiar com um troféu ou medalha, mesmo quando eu não havia feito nada. Era assim meu amigo Flavião.

Sabe, Malu, Paola e Giuliano, defeitos todos nós temos e nem Jesus escapou de ser criticado e crucificado, mas levem consigo sempre a imagem de um homem que foi durante essa vida um exemplo de trabalho, de disciplina, dedicação, determinação, decência, honestidade e principalmente “paixão”.

Fica com Deus amigo.

PS - O Serpentário ficou vazio e mais triste sem você.

Jacy Guedes de Azevedo - RG 3.420.036

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