Regional

Ex-prefeito de Iacanga vai depor para juiz

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Iacanga – O ex-prefeito de Iacanga Durvalino Afonso Ribeiro vai prestar depoimento ao juiz Fábio Evangelista de Moura, da Comarca de São Simão, na tarde desta sexta-feira. Preso desde o dia 19 de dezembro do ano passado, Ribeiro é acusado de receptação (artigo 180) e formação de quadrilha ( artigo 288) em relação à compra de madeira extraída irregularmente da Estação Experimental de São Simão. Em outro processo, o ex-prefeito é acusado de porte ilegal de arma de fogo.

O promotor Tiago Cintra Essado, do Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão Ao Crime Organizado (Gaeco), de Ribeirão Preto, revela que já há documentos provando que Ribeiro pagou R$ 27 mil a Antônio Valdeci Rodrigues Valentim, conhecido como Gaúcho, que extraia o produto. “É daí para cima”, frisa.

O promotor disse que o valor pago é apenas uma parte referente à madeira adquirida irregularmente, durante todo o ano de 2006, e que Ribeiro teria ganho muito mais na revenda do produto em sua madeireira em Iacanga (50 quilômetros de Bauru).

Só pelo crime de receptação a promotoria pediu uma condenação para Ribeiro multiplicada em 19 vezes à pena mínima que é de 3 anos – a máxima é oito anos – o que daria 57 anos de reclusão. Além disso, Ribeiro responde por formação de quadrilha.

Em outro processo criminal, também na Comarca de São Simão, o ex-prefeito de Iacanga foi denunciado por porte ilegal de arma de fogo. Essado explica que Ribeiro adquiriu uma arma e entregou a Valentim, que também responde pelo mesmo crime. O porte ilegal de arma prevê reclusão de 2 a 4 anos.

Em data posterior ao juiz interrogar Ribeiro e as outras nove pessoas acusadas, será a vez das testemunhas serem ouvidas pelo magistrado. O juiz Fábio Evangelista de Moura, da Comarca de São Simão, preferiu não se pronunciar ontem. Para esta sexta-feira estão marcados os interrogatórios de dez pessoas, número de depoentes que vai demandar o dia inteiro de trabalho. Pela manhã, devem falar Antônio Valdeci Rodrigues Valentim, Otávio Moreira, Maria Terezinha Pires Moreira, Carlos Roberto Bertozi e Edson Roberto Conelian.

À tarde, Lourival Carmo do Nascimento, Edvaldo de Souza, Durvalino Afonso Ribeiro, Paulo Henrique Badan Fonseca e William Badan Fonseca de Souza.

O Jornal da Cidade tem tentado ouvir o advogado de Ribeiro, mas sua família se recusa a indicar o contato com o defensor.

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Crime

O ex-prefeito de Iacanga Durvalino Afonso Ribeiro estaria envolvido no comércio ilegal de madeira, conforme investigação da Polícia Federal em conjunto com o Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), de Ribeirão Preto. A quadrilha que se beneficiava da extração ilegal de madeira reflorestada atuava há anos, segundo apurou a Operação Pinóquio.

O governo do Estado de São Paulo criou a Estação Experimental de São Simão para reflorestamento e pesquisa em 1950. Há dez anos, sem-terras, liderados por Antônio Valdeci Rodrigues Valentim, o Gaúcho, invadiram a reserva florestal. Valentim passou as extrair madeira e vender bem abaixo do preço de mercado para serrarias, como a de propriedade de Ribeiro em Iacanga. Valentim acumula um patrimônio significativo como uma residência de 400 metros quadrados e carros importados.

Deste a invasão, já foram devastados metade de uma área de 2.700 hectares na Estação Experimental. A cada ano, calcula-se que a quadrilha causou um prejuízo de R$ 1 milhão com o corte ilegal de madeira da propriedade pública.

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