Regional

‘Verdinhos’ afugentam ‘indústria da multa’ e derrubam autuações

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - Os agentes de trânsito, mais conhecidos como “verdinhos”, aplicaram 1.024 multas em 2006 em Jaú (47 quilômetros de Bauru), enquanto os policiais militares fizeram outras 2.269 autuações. A chegada dos agentes de trânsito poderia sugerir uma “indústria da multa” na cidade, mas o efeito causado pelos “verdinhos” foi exatamente o oposto. A aplicação de multas está caindo.

Através de advertências, eles conseguiram reduzir as multas de 4.919 em 2005 para 3.393 em 2006, ou seja, queda de 31%. O número de acidentes com vítimas fatais caiu 55,5% no período de 1997 a 2004. Os agentes também foram responsáveis pelo levantamento do perfil do condutor jauense e dos infratores, que representam 5% da frota de veículos.

Os serviços dos “verdinhos” foram implantados em agosto de 2006. Numa primeira etapa, eles foram às ruas conhecer a realidade do perímetro urbano, visitando e detectando os problemas, inclusive na periferia. Nessa fase, se depararam com uma realidade surpreendente, lembra a secretária do Transporte e Trânsito, Magaly Pazzian Romão.

“A população acreditava que na periferia não precisava de fiscalização no trânsito. É como se os bairros representassem uma realidade diferente da área central. Um território onde se podia tudo, sem respeitar as leis de trânsito.”

No Centro da cidade, os “verdinhos” advertiram os motoristas infratores e depararam com condutores educados que agradeciam a informação e com aqueles que não aceitavam a advertência verbal e xingavam os agentes.

Um banco de dados foi desenvolvido para registrar as advertências que permitem afirmar que os infratores na cidade de Jaú representam 5% dos condutores. “As advertências escritas totalizaram 8.684 (de 15/08/06 a 19/01/07) e são em forma de cartas educativas que as pessoas recebem em suas casas, mas não tem efeitos punitivos, e sim educacionais.” As multas são aplicadas somente nos casos graves, avisa a secretária.

A redução das multas foi um dos itens apontados pela secretária para provar que em Jaú não há uma “indústria de multas”. “Há uma fábrica de infratores: 42% deles rescidiram de uma a cinco vezes ou mais” frisa.

O dado é provado porque a cada infração seguida de advertência, o condutor vai para o banco de dados, explica Magaly Romão. “Na décima infração, o condutor recebe uma carta com data e horário de todas as infrações cometidas para que ele tenha idéia de seu comportamento no trânsito urbano.”

Frota

Jaú tem uma população estimada em 125 mil habitantes e 1,83 pessoas por veículo. A frota totaliza 68.800 veículos. O número de motos do ano de 87 para 2000 subiu em 8,4%. Mas o pulo maior aconteceu de 2000 a 2004, com crescimento de 72%.

O veículo que tem custo menor do que o carro e mobilidade maior é também o responsável pelos acidentes mais graves ocorridos na cidade. “A moto tem 85% de chance de provocar acidentes com vítima fatal. Cerca de 70% dos acidentes com vítimas fatais em Jaú, registrados no ano passado envolveram motos.”

As políticas públicas de trânsito implantadas na cidade fornecem dados que mostram a melhora na violência urbana e, principalmente, na qualidade de vida dos moradores, frisa a secretária. “De 2000 a 2004 os acidentes, de modo geral, foram reduzidos em 3%. Na análise de 97 a 2004, a redução chega a 45%, apesar do aumento da frota.”

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Investir na prevenção

Para a secretária do Transporte e Trânsito, Magaly Pazzian Romão, o trânsito é um meio em que a cidadania deveria ser exercida na sua plenitude. “Irrestritamente, com pedido de licença, por favor. Mas o que a gente percebe é que tanto os condutores quanto os pedestres são individualistas e não admitem ser advertidos quando erram”, diagnostica.

Partindo dessa tese, ela avalia que é preciso investir na educação, engenharia e esforço legal para mudar essa situação.

“O custo médio de um acidente é de R$ 9 mil, gastos com despesas médicas/hospitalares. Uma vítima fatal custa entre R$ 140 e R$ 500 mil, uma queda de pedestre, R$ 2,5 mil. Todos esses gastos podem ser investidos na prevenção para garantir a inversão da situação.”

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