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Mãe não viu criança, mas acredita que filho está vivo

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

“Tenho esperança que meu filho esteja vivo”. Essas são palavras da dona de casa Vera Lúcia Dutra, moradora de Reginópolis (70 quilômetros de Bauru). Como o Jornal da Cidade divulgou ontem, ela e o marido estão vivendo uma agonia há cinco anos, pois não sabem qual o paradeiro do filho que nasceu no dia 21/10/2001, na Maternidade Santa Isabel, em Bauru.

O casal foi informado pela maternidade que o bebê morreu quatro horas após o parto e tratava-se de um menino. Mas a funerária para onde o bebê teria sido levado, em Iacanga, liberou o corpo de uma menina para o enterro. Através de exumação do corpo e exame de DNA, a polícia comprovou que realmente tratava-se de uma menina.

A mãe confirma que deu à luz um menino. “Não vi meu filho vivo, mas a médica que fez o parto me disse que era um menino. Ele foi levado para a Unidade de Tratamento Intenso (UTI), pois teve complicações no parto. A mãe conta que a criança foi registrada no cartório em Bauru com o nome de Caique Dutra de Souza.

Em depoimento à polícia, uma das médicas da maternidade disse que Vera teve um bebê do sexo masculino, mas morreu horas depois. Ela mesmo teria avisado a mãe do falecimento e Vera teria reagido com tranqüilidade. “Estava ainda sob efeito dos remédios e não pude ir ao enterro. Só fiquei sabendo da confusão quando meu marido disse que tentou registrar a criança com o nome de Camila”, conta.

A reportagem teve acesso a dois documentos da Maternidade Santa Isabel que confirmam que Vera Lúcia realmente deu à luz um garoto. O primeiro deles tem a impressão digital do pé da criança e consta que tratava-se de uma criança do sexo masculino e nascido de parto cesariano. O segundo documento é uma certidão de óbito em nome de Caique, tendo como causa da morte infecção neonatal.

Vera Lúcia disse que fez acompanhamento pré-natal em Reginópolis, mas em nenhum momento soube o sexo da criança. “Fiz ultrassom quando o feto era pequeno e não dava para ver o sexo”, conta.

Segundo ela, no mesmo dia em que ela deu à luz, outros três bebês do sexo masculino morreram na maternidade. Outras 21 crianças nascidas na maternidade na ocasião estão vivas. “A esperança é que meu filho seja uma dessas crianças. Mas, se realmente morreu, queremos encontrar seu corpo”, desabafa.

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Avó viu corpo da menina

A mãe de Vera Lúcia, a dona de casa Isaura Dutra, disse que também não viu o neto vivo. “Eu ajudei a cuidar do enterro da criança. Vi o corpo e era mesmo uma menina. Mas estava com uma cicatriz na testa e parecia que tinha morrido antes do meu neto, porque o corpo estava muito gelado”, alega.

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