São Paulo - Congestionamentos no final do dia, falta de policiamento, buracos nas ruas e acúmulo de lixo. Shows, lazer para crianças, atrações culturais e até um novo esporte trazido da Bélgica. As dificuldades de uma cidade grande como São Paulo migram com os habitantes durante as férias e feriados prolongados como o que se inicia hoje, mas as cidades do litoral oferecem atividades para o turista que está aproveitando o (esporádico) sol deste verão - além do mergulho no mar.
No litoral norte, o trânsito, os buracos e a dificuldade para estacionar fazem os turistas perderem a paciência. No litoral sul, o que irrita são a sujeira e a falta d’água. A reportagem percorreu o litoral paulista para saber quais são os problemas - e as atrações - do verão deste ano. Comum em quase todas as cidades, a insegurança acompanha quem está de férias, apesar de todas as prefeituras afirmarem terem elevado o efetivo de policiais.
Desde o dia 4 em Juqueí, São Sebastião, Sérgio Barros, 64 anos, e a mulher Cláudia, 39 anos, tentam descansar, mas se sentem “perseguidos” pela sensação de insegurança. “Desde que chegamos, não vimos policiamento. Aqui, é só Deus e a gente mesmo”, diz Sérgio.
No centro de Caraguatatuba há quase um mês, Zélia de Campos Melo, 60 anos, sente mais do que insegurança, tem medo mesmo. “Minha filha foi assaltada na rua da praia logo que chegamos. O bombeiro conseguiu pegar o ladrão, mas foi um susto. A gente não fica em paz nem nas férias. Parece que não dá para descansar nunca.”
Descanso era também o que desejava Dulce Pires, 50 anos, em Ubatuba desde o dia 26. “Já desisti de ficar desestressada porque não dá. Só para ir da praia das Toninhas até o centro a gente leva mais de uma hora no final do dia, quando deveria levar 15 minutos”, afirma. “Parece até um teste para ver até onde dá para agüentar. A gente vem à praia para recarregar as energias, mas volta para casa ainda mais acabada.”
Paciência e um pouco de bom humor é a receita de Ricardo Lontre, 36 anos, quando tenta ir ao shopping na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, nos dias nublados. Por lá, conseguir uma vaga no estacionamento é quase tão difícil como acertar na loteria, brinca. “Saí de São Paulo certo de que só ficaria em congestionamentos ou em filas de shopping quando voltasse a trabalhar. Mas até parece carma de paulistano: onde vamos, os problemas correm atrás.” Música para (quase) todos Nem tudo é dificuldade, diz Lontre. “Neste ano, a Riviera está cheia de atrações. Mesmo sem o sol, dá para aproveitar”, diz. “E só de poder olhar para o mar a gente já relaxa um pouco. Coisa que não tem na Capital...”
Nesta temporada, o litoral está tomado por shows - muitos de rock, que vêm competindo de igual para igual com grupos de axé e pagode -, novas casas noturnas com DJs badalados e até um novo esporte: o bossaball. Mistura de vôlei e futebol, praticado em cima de camas elásticas e com juiz-DJ, a idéia veio da Bélgica e circulará por praias do litoral paulista até o começo de fevereiro. Ilhabela também aposta nos DJs, que embalarão o pôr-do-sol na praia do Curral. Até fevereiro, artistas como Ítalo House, David Pires, Rodolfo Whebba, Hetrz e o alemão Porn Bugs animarão os veranistas.