Economia & Negócios

Posto de Bauru já tem gás natural veicular; 1ª carreta é gratuita

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Uma fila de dez carros se formou ontem no posto Garbrás, entre a avenida Cruzeiro do Sul e a rua Galvão de Castro, em Bauru, para serem abastecidos na primeira carga de Gás Natural Veicular (GNV) no município. O abastecimento foi gratuito.

O combustível chegou a Bauru dentro do prazo previsto pela Petrobrás e, assim que esta primeira carga, de 3.500 metros cúbicos, se esgotar, passará a ser comercializado ao preço de R$ 1,49 o metro cúbico. Inicialmente, a previsão é que o custo poderia chegar até a R$ 1,55, segundo a Petrobrás.

“Por enquanto, vamos distribuir o gás sem cobrar para atrairmos consumidores e treinarmos os frentistas, que já passaram por um processo de aprendizagem desse novo sistema de abastecimento”, diz o gerente regional da Petrobrás em Bauru, Heitor Kaschel Baroni Filho.

Entre os motoristas que aguardavam o abastecimento gratuito, estava o aposentado Euclides Marques da Silva, que converteu seu carro, uma Parati 1.6, há dois meses em Limeira. Até então, ele tinha acesso ao combustível em Cesário Lange, a 170 quilômetros de Bauru.

“Era caminho para mim porque vou a São Paulo toda semana comprar mercadoria para minha loja. Agora vou poder abastecer aqui (Bauru). Não vou mais precisar ficar na dependência da viagem”, comenta.

Silva ressalta que desde quando fez a conversão para GNV tem conseguido uma economia de 75% no consumo do produto. Uma viagem de ida e volta para a Capital, por exemplo, com um veículo movido a GNV, terá um custo aproximado de R$ 70,00. Com a gasolina, o motorista desembolsa mais de R$ 200,00.

“Não dá para comparar. Sai bem mais em conta. Enquanto percorro 15 quilômetros com um metro cúbico de gás, faço apenas oito com um litro de gasolina”, ressalta o médico Leonardo Henrique Lucas, que também estava na fila do posto ontem para abastecer seu veículo.

Ele conta que possui carro convertido a GNV há mais de 6 anos. A adesão ao combustível alternativo foi feita quando ele ainda morava no Rio de Janeiro. “Lá, os veículos movidos a GNV têm desconto de 75% no IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores)”, frisa.

A Petrobrás acredita que, pelo menos por enquanto, a maior demanda do novo combustível virá de outras regiões do Estado, principalmente de frota de empresas que têm Bauru como rota de viagem.

A expectativa é de que, dentro de um ano, o posto esteja vendendo um volume de 150 mil metros cúbicos do combustível por mês.

Conforme Baroni Filho, da Petrobrás, um outro posto de Bauru será estruturado para também comercializar GNV. Na região, Lençóis Paulista também deve receber o produto para o abastecimento de veículos. Ainda não há prazo para a execução do projeto.

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O caminho do GNV

A carreta que transporta o Gás Natural Veicular (GNV) até Bauru é abastecida em Araraquara, pela distribuidora Gás Brasiliano. Depois de percorrer 117 quilômetros de estrada, chega ao posto de combustíveis, na avenida Cruzeiro do Sul, onde é alojada num boxe especial, protegido por uma porta especial de ferro.

No mesmo local fica a Unidade de Alta Pressão (HPU), um equipamento que agrega motor, bomba, válvulas e tanque de armazenamento de óleo.

O aparelho, segundo o engenheiro mecânico Luís Miguel Ferreira, tem a função de transferir o Gás Natural Comprimido (GNC) da carreta para a bomba de combustível, sob pressão de 220 bares (unidade de medida de pressão).

“A bomba do HPU joga óleo dentro dos tubos da carreta através de um sistema de tubulação menor. Esse óleo expulsa o gás comprimido desses tubos, que chega até a bomba através de canaletas”, explica o engenheiro.

Ainda de acordo com Ferreira, a carreta possui oito tubos, constituídos de aço e carbono, com capacidade para armazenar 640 metros cúbicos de GNC cada um. Ao todo, o comboio pode transportar um volume de 5 mil metros cúbicos do combustível. Toda a aparelhagem para o fornecimento do gás foi adquirida de uma empresa de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. O investimento, feito pela Petrobrás, ultrapassa R$ 1 milhão.

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