A aposentada Prosperina Gonçalves Pereira, 73 anos, caiu dentro de um ônibus do transporte coletivo de Bauru, no Pousada da Esperança 1, quebrando o polegar esquerdo e lesionando costas e cintura, na última quarta-feira. Pereira caiu quando o motorista fez uma manobra na rua Joaquim Gonçalves Soriano para evitar um grande buraco na via. Revoltados com o acidente e principalmente com os buracos, os moradores do bairro realizaram um protesto na tarde de ontem.
A manifestação reuniu dezenas de pessoas no local do acidente. Com o dedo enfaixado, a aposentada conta que tinha acabado de entrar no ônibus e estava se sentando quando o motorista fez uma curva brusca. “Ele não teve culpa. Aqui tem que desviar de tudo, mas não adianta. Evita um buraco e cai no outro”, lamenta a aposentada.
Depois do tombo, a saga da aposentada foi para conseguir atendimento médico. Ela procurou o núcleo do Jardim Godoy, que a encaminhou ao Hospital Manoel de Abreu para um exame de raio-x. Ela voltou com o resultado à unidade de saúde, mas o médico estava em férias. Para conseguir a consulta, ela foi até o Pronto-Socorro Central e só conseguiu ter o dedo enfaixado ontem, três dias após o acidente.
Para Natalino Davi da Silva, um dos líderes comunitários, o bairro chegou ao limite do abandono. “Quando uma pessoa chega a se acidentar por conta de um problema da prefeitura, é por que o poder público foi conivente”, critica. Ele garante que a partir do próximo mês, moradores irão fixar faixas criticando a prefeitura por todo o bairro.
Logo na esquina da casa de Ferreira já havia uma faixa criticando a prefeitura. Nela, os moradores enumeravam as demandas da Pousada. Para eles, falta asfalto, centros de lazer e, principalmente, vontade política por parte do município. “Toda vez tentamos falar com a prefeitura, mas não existe políticas públicas para o bairro”, lamenta Silva.
O comerciante Mário Cândido Veríssimo conta que reuniu em sua rua interessados em pagar pelo asfalto e conseguiu a adesão mínima exigida de 75%. “Mas a prefeitura negou a benfeitoria. Nós queremos pagar, mas eles não querem asfaltar”, lamenta.
Já o aposentado João Manuel de Araújo reclama da precariedade da rua de terra onde mora e também da falta de guias. Com o filho Antônio de 49 anos tendo de se locomover numa cadeira de rodas, o idoso se vê obrigado a carregá-lo no colo para pegar ônibus. “Do jeito que a rua está, a cadeira de rodas não anda”, avalia. Para conseguir a melhoria, ele resolveu fazer um protesto solitário. “Não vou mais pagar o IPTU. Só acerto o carnê quando tiver pelo menos a galeria de águas pluviais na minha rua”, garante.
A família de Pereira protocolou processo na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) informando o acidente e pedindo a cobertura das despesas médicas. A Emdurb informa que irá avaliar e encaminhar o processo. Como o acidente foi em um dos coletivos da cidade, a Transurb, associação que congrega as três empresas que operam no transporte coletivo de Bauru, divulgou que irá investigar a veracidade dos fatos e providenciará a assistência necessária à usuária.
Já a Secretaria Municipal de Obras informou que a rua Joaquim Gonçalves Soriano está incluída na programação das equipes de terraplanagem e a previsão é que o serviço seja executado na próxima semana, caso as condições climáticas permitam.