Desde 2005, o grupo teatral “Buscar-te” tem percorrido as escolas públicas e particulares de Bauru, apresentando a peça “O Grito das Águas”. É uma forma lúdica de falar sobre temas sérios como aquecimento global, poluição, esgoto e coleta seletiva de lixo, entre outros, para alunos do ensino infantil e fundamental.
A peça é encenada por 11 alunos da escola estadual Luiz Zuiani e foi escrita pelo professor de literatura Sérgio Santos. Ele conta que o objetivo do espetáculo é ensinar aos alunos e, conseqüentemente aos pais, o quanto é importante se preocupar com as questões ambientais e como elas interferem no dia-a-dia de cada um.
Segundo o professor, a receptividade tem sido muito boa. Além de serem abordados na peça, os temas são discutidos também dentro da sala de aula, nas diferentes disciplinas. Santos diz que decidiu abordar o aquecimento global, poluição, esgoto, reciclagem e desperdício de água em sua peça porque são temas bastante atuais. “Vivemos um momento propício para essa discussão”, afirma ele.
Algumas iniciativas partiram do plano teórico para o prático em Bauru. No Residencial Vila Inglesa, por exemplo, está completando dois anos neste mês a implantação da coleta seletiva de lixo. Cada bloco de apartamentos tem tambores separados para o depósito de lixo reciclável e lixo orgânico. No ano passado, foi implantada também a coleta de óleo de cozinha, geralmente utilizada em frituras. Os moradores são orientados a guardar o óleo usado dentro de garrafas pets e quando elas estão cheias devem ser colocadas do lado dos tambores de lixo para posterior recolhimento.
De acordo com o subsíndico do residencial, Jairo Cazaça, no ano passado foram recolhidos cerca de 350 litros de óleo. O material é recolhido por uma empresa da cidade que utiliza o óleo como matéria-prima de seus produtos e em troca fornece material de limpeza para o condomínio.
Na avaliação do subsíndico, todos ganham com essa iniciativa. Segundo ele, o que ocorria normalmente era os moradores jogarem o óleo na rede hidráulica do condomínio. “Cansei de ligar para o DAE pedindo para eles virem desentupir o encanamento”, lembra o zelador Raimundo Alves. Além disso, tem toda a questão ambiental envolvida. O óleo que é lançado na rede de esgoto vai para o rio e representa um sério risco ao meio ambiente.
Segundo Cazaça, infelizmente não são todos os moradores que colaboram com a separação do óleo e com a coleta seletiva. “A adesão ainda deixa a desejar. Temos 384 famílias morando aqui. Acho que o volume poderia ser bem maior”, lamenta. Em 2006, foram recolhidas 30 toneladas de lixo reciclável dentro do residencial.
O morador José Dias Ferraz, 81 anos, faz parte do grupo que colabora com a coleta seletiva. Ele conta que tudo o que é orgânico ele deposita na terra, para se tornar adubo. Esse costume, segundo revelou, foi adquirido quando morava em uma chácara em Araraquara. O hábito dura até hoje. E o que não é orgânico, em sua maior parte, vai para o tambor de recicláveis.
No residencial Flamboyant’s também existe um sistema de coleta seletiva, mas não chega a empolgar nem mesmo o síndico Paulo Roberto do Nascimento. Ele não sabe dizer quanto exatamente de lixo reciclável é separado, mas a renda não supera os R$ 400,00 por mês. Isso é o que o condomínio lucra com a venda do lixo. “Poderia ser mais se os moradores colaborassem mais”, observa.
O residencial não tem lixeiras separadas para os diferentes tipos de lixo reciclável. A separação é feita por um funcionário do condomínio. Segundo o síndico, o trabalho ficaria mais fácil e rápido se os moradores fizessem a separação do lixo nos apartamentos. Segundo ele, não misturar lixo reciclável com orgânico já seria uma grande ajuda. “Infelizmente, ainda não existe uma cultura de separar o lixo reciclável do orgânico”, lamenta.
Enquanto isso, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) planeja retomar com “carga total” o programa de conscientização nas escolas municipais. A idéia é firmar uma parceria com o Estado e estender o programa para as escolas estaduais.
Além disso, deverá ser intensificado também o programa de coleta seletiva nos bairros. Antes, porém, segundo a secretaria, haverá distribuição de folheto de casa em casa orientando os moradores de como proceder para separar e descartar o lixo reciclável.
Atualmente, três caminhões fazem a coleta seletiva na cidade. Cada bairro é visitado uma vez por semana. No ano passado, foram coletadas 724 toneladas de lixo reciclável.
Segundo José Carlos Barbieri, presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), informou que o total de lixo doméstico coletado na cidade todos os dias gira em torno de 220 toneladas. Desse total, cerca de 60% é formado por lixo reciclável, mas só 1% chega a ser separado pelos moradores ou pelos coletores.
Segundo ele, ainda falta muito o que conquistar quando o assunto é coleta seletiva de lixo. Por isso, o município tem planos de investir pesado no trabalho de conscientização dentro das escolas. Para Barbieri, é mais fácil educar os alunos a fazer o trabalho de separação do lixo desde pequeno do que mudar hábitos já enraizados na população adulta.