Saúde

Quando o leite não faz bem

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Rico em cálcio e proteínas, o leite é um dos protagonistas do cardápio de grande parte das pessoas, especialmente nos primeiros anos de vida, período em que normalmente se consome maior quantidade deste alimento. Mas ele pode assumir, em alguns casos, o papel de vilão na alimentação. O motivo para isso é uma intolerância à lactose, um dos açúcares presentes no leite animal.

Essa reação adversa é provocada em pessoas com deficiência ou ausência de uma enzima intestinal, denominada lactase, responsável pela digestão da lactose. Com a diminuição na produção ou baixa atividade dela, o organismo tem dificuldade em decompor o açúcar do leite em carboidratos e, conseqüentemente, em absorvê-lo. Isso pode aumentar a concentração de açúcar no intestino e atrair mais líquido, causando diarréia. Este é um dos principais sintomas da intolerância à lactose, além de cólica, assadura e distensão abdominal, em bebês; e dores, gases e náuseas em crianças mais velhas e também em adultos, aponta Kátia Semeghini Caputo, gastroenterologista infantil.

De acordo com ela, a intolerância à lactose pode ocorrer de duas formas: congênita, quando a criança nasce com uma deficiência da lactase; ou adquirida, que pode ser conseqüência de uma diarréia infecciosa - neste último caso, o problema é transitório. Pessoas que têm intolerância à lactose não podem consumir leite de vaca (in natura), integral ou desnatado, mas o mesmo não acontece com o leite materno, ressalta Caputo.

Freqüentemente a intolerância à lactose, que existe em diferentes níveis, é sugerida pela história clínica e o diagnóstico é clínico, explica a gastroenterologista. Neste caso, a diminuição de sintomas após algumas semanas de dieta livre de lactose funciona como teste terapêutico.

Tratamento

Crianças intolerantes à lactose, por exemplo, precisam mudar hábitos alimentares, substituindo o leite de vaca pelo leite sem lactose ou que contém baixo teor da substância em seu cardápio diário, uma vez que estes produtos possuem os mesmos nutrientes encontrados no leite de vaca, aponta a pediatra geral Sônia Maria Aléssio Alves Fiocchi.

“Mas o tratamento deve ter acompanhamento médico”, alerta Fiocchi. Em alguns casos não há necessidade de se estabelecer uma dieta extremamente rigorosa, orienta a nutricionista Sylvia Regina Vieira Tosi. Além do leite sem ou com menor quantidade de lactose, uma das alternativas é substitui-lo pelo leite de soja ou incluir na dieta habitual outros tipos de alimentos ricos em cálcio. “Entre eles, os derivados do leite, como queijos, iogurtes e coalhada, nos quais os níveis de lactose sofrem alterações. Brócolis, couve, soja e sardinha também contém cálcio”, destaca.

Segundo Tosi, o cálcio é fundamental para a formação e manutenção da estrutura óssea do ser humano. Em pessoas da terceira idade, a falta deste mineral pode provocar enfraquecimento dos ossos, tornando-os suscetíveis a fraturas e lesões.

____________________ Depoimento

“Minha filha, de 4 meses, teve cólicas muito fortes durante 40 dias. Achava que estas dores não eram típicas de recém-nascidos e, por isso, levei-a ao pediatra. A primeira pergunta que ele fez foi se existiam casos de intolerância à lactose na família. Como eu a amamento, no mesmo dia, parei de consumir leite e ela também parou de ter aquelas cólicas. Em casa, mudamos nossos hábitos alimentares. Não tomo leite de vaca, nem como queijos, chocolates, sorvetes e bolachas e iogurtes, e nenhum produto que contenha traços de leite. Pretendo amamentar minha filha até que ela complete 6 meses de idade. O pediatra me orientou que a previsão é que a bebê só poderá voltar a consumir leite a partir de 2 anos de idade. Meu marido também tem intolerância à lactose, mas, no caso dele, a única restrição é o leite de vaca.”

Célia Fileti, administradora

Comentários

Comentários