Prezado leitor,
Na coluna de hoje vou abordar as relações envolvendo os alimentos e as emoções, pois quando nos alimentamos bem, as emoções estão em alta. O contrário também é verdadeiro.
As alterações inesperadas no emprego, a freqüência a restaurantes e comemorações podem desencadear uma ingestão excessiva de alimentos. As emoções, no entanto, também podem fazer com que você, de fato, mude seus hábitos alimentares.
Para alguns, a comida pode ser uma maneira de amenizar as sensações negativas, como o estresse, o nervosismo, a depressão, o desânimo e a solidão. Esses estados negativos podem ser causados por qualquer coisa, desde grandes acontecimentos até pequenas coisas do dia-a-dia. Embora os alimentos possam fornecer algum alívio imediato, eles podem levar a costumes nada saudáveis de comer em resposta à fome espiritual e não fisiológica.
Os obesos não comem necessariamente a mais. Eles comem mais alimentos hipercarboidratados, ou seja, ricos em carboidratos, como açúcares, chocolates, doces e salgados muito industrializados, ricos também em gorduras do tipo trans. Em conseqüência, se a pessoa é muito perfeccionista e sobrecarregada e as coisas não saem como desejado, comem para compensar as emoções negativas do dia-a-dia e podem desenvolver aumento de peso e risco cardíaco elevado.
Identificou-se com esse perfil? Julga-se compulsivo? Saiba que se pode recuperar o controle dos hábitos alimentares, basta estar disposto a mudar de vida e fazer algo por você antes que seja tarde. Você está no comando e você é o patrão de você mesmo.
Aborrecimentos diários
Algumas mudanças em nossas vidas podem desencadear a compulsão alimentar, como a falta de trabalho, doenças na família, brigas conjugais e carência afetiva ou sexual. É importante salientar que qualquer alteração em nossa rotina é motivo de desarranjo emocional.
Uma ligação com a felicidade
Quando você ingere algumas guloseimas, como chocolate, seu organismo dá uma sensação de bem-estar. Essa recompensa pode reforçar a preferência por alimentos que estão mais intimamente ligados a algumas emoções.
A comida também pode ser um entretenimento. Se você está tenso com algo que tem a fazer ou pensando numa discussão que teve pela manhã, comer alimentos confortantes pode relaxar, mas essa sensação é apenas temporária.
Enquanto você está comendo, seus pensamentos podem estar focados no gosto agradável do alimento. Infelizmente, quando você acaba de comer, suas atenções se voltam às preocupações e você tem que agüentar o peso adicional de ter comido demais.
O que fazer?
Com o passar do tempo, o hábito alimentar relacionado à ansiedade e ao cansaço não é saudável. Se você acha que tem depressão, procure um médico psiquiatra ou um psicólogo. Se você acha que está com estresse, siga essas dicas que vão ajudá-lo a evitar as conseqüências nocivas da compulsão alimentar.
1) Tenha uma rotina e coma sempre no mesmo horário;
2) Se após poucas horas você se alimenta e sente fome novamente, espere um pouco e tome um copo cheio de água gelada que a vontade passa;
3) Faça um diário alimentar. Anote tudo o que comer, a quantidade e o que sentiu em cada momento;
4) Tenha eventos agradáveis. Planeje lazer para si mesmo;
5) Evite ter alimentos muito carboidratados em casa. Em casos de desespero, tenha em mãos doces ou sorvetes em versões light. Atenção: não é por ser light que se pode consumir mais;
6) Faça qualquer atividade física ao menos duas vezes por semana. Se não tiver tempo, separe-as para os finais de semana. Você se sentirá mais descansado e em forma;
7) Se tiver uma recaída às comilanças, perdoe-se. Reinicie sua dieta no outro dia urgentemente.
____________________ Fome física versus fome emocional
Desânimo e falta de vontade nos levam a escolher alimentos lúdicos, como sanduíches com muitos ingredientes, sorvetes com cobertura, comidas coloridas e docinhos de festa que dão a falsa sensação de graça à vida.
Nervosismo e rancor pedem alimentos crocantes, que precisam ser mastigados com força e energia.
Depressão, ansiedade e falta de carinho ou sexo pedem chocolates e doces macios, que são fáceis de ingerir e causam tranqüilidade momentânea.
Tristeza, agonia e estresse levam a beliscar alimentos miúdos o dia inteiro. A intenção é encher a boca para desviar o pensamento daquilo que realmente o aflige.
As oscilações fortes de humor podem desencadear a vontade de comer. Resolva seus problemas. Organize sua vida. Isso será fundamental para mudar seus hábitos. Procure ajuda de seu médico e também de seus familiares e amigos. Nunca deixe o lazer de lado. Aproveite a vida com saúde e beleza. Você merece!
Um grande abraço e até o próximo domingo.
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*Médica, CRM-SP 96.027